A cidade onde o segurado mora pode fazer uma diferença expressiva no custo do seguro. Em agosto de 2026, o preço do seguro de automóvel correspondeu a 5,5% do valor do veículo na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, ante 3,1% na de Belém. A diferença entre os índices foi de 77,4%, segundo o levantamento IPSA + IPSM, elaborado pela TEx, parte da Serasa Experian.
O estudo acompanha quanto o seguro representa do valor do veículo. Esse critério permite comparar regiões com perfis variados de automóveis, mas não significa que todos os motoristas de uma mesma cidade paguem o percentual indicado. O valor de cada apólice depende das características do condutor, do veículo, de sua utilização e das coberturas contratadas.
Entre as nove regiões metropolitanas analisadas, o Rio de Janeiro apresentou o maior percentual para o seguro auto. São Paulo e Salvador registraram 4,5%; Recife, 4,2%; Porto Alegre, 3,9%; Belo Horizonte, 3,6%; Fortaleza, 3,3%; Curitiba, 3,2%; e Belém, 3,1%.
| Região metropolitana | Seguro auto | Seguro de moto |
| Belém | 3,1% | 5,5% |
| Curitiba | 3,2% | 8,5% |
| Fortaleza | 3,3% | 7,5% |
| Belo Horizonte | 3,6% | 8,2% |
| Porto Alegre | 3,9% | 6,6% |
| Recife | 4,2% | 7,9% |
| Salvador | 4,5% | 9,3% |
| São Paulo | 4,5% | 11,1% |
| Rio de Janeiro | 5,5% | 11,6% |
No seguro de motocicletas, a diferença entre Rio de Janeiro e Belém foi ainda maior. O preço relativo chegou a 11,6% do valor da moto na região fluminense e a 5,5% na capital paraense — uma distância de 110,9%.
Mesmo carro e perfil, diferença de R$ 3.248 por ano
Para demonstrar o efeito da localização em uma cotação, o estudo apresenta uma simulação com duas seguradas de 41 anos, com o mesmo perfil e carros de dois anos de uso avaliados em R$ 116 mil pela tabela Fipe. A variável que muda no exemplo é a cidade de residência.
Para a moradora do Rio de Janeiro, o seguro custaria R$ 7.192 por ano, equivalente a 6,2% do valor do automóvel. Em São Paulo, o preço seria de R$ 3.944, ou 3,4%. A diferença anual chega a R$ 3.248, com o valor calculado para o Rio 82,4% acima do de São Paulo.
A simulação não representa uma cotação válida para todos os moradores dessas cidades. Ela ajuda, porém, a mostrar por que o preço pago por outra pessoa, mesmo quando possui um veículo semelhante, não é suficiente para avaliar se uma proposta está cara ou barata.
Diferenças também aparecem dentro da mesma cidade
O endereço pode influenciar o preço relativo do seguro mesmo entre bairros de uma mesma capital. Na cidade de São Paulo, o índice do seguro auto chegou a 5,7% na Zona Leste em agosto, ante 3,3% no Centro — diferença de 72,7%. Na Zona Norte, ficou em 4,7%; na Zona Sul, em 3,8%; e na Zona Oeste, em 3,5%.
Para motocicletas, a Zona Leste registrou 14,4%, enquanto o Centro apresentou 7,4%, uma diferença de 94,6%.
“São Paulo mostra com clareza como o endereço pode alterar a relação entre o valor do seguro e o do veículo. Essa diferença não deve ser lida isoladamente: a localização se soma ao perfil do condutor, às características do veículo e a outros fatores considerados na avaliação de risco”, afirma Rodolfo Brandão, gerente executivo de Seguros da Serasa Experian.
O que os dados mostram para o corretor
O levantamento oferece um ponto de partida para explicar ao cliente como o seguro é precificado. Quando ele compara sua cotação com a de um amigo ou familiar, vale verificar se as propostas consideram o mesmo local de residência, perfil do condutor, uso do veículo e condições de contratação.
A análise deve incluir também coberturas, limites de indenização, franquia e serviços de assistência. Duas apólices podem ter preços diferentes porque oferecem proteções diferentes. O papel do corretor é apresentar essas condições com clareza para que o cliente escolha uma solução adequada às suas necessidades.
A conversa pode começar antes mesmo da compra de um carro. Consultar o preço do seguro para os modelos desejados ajuda o consumidor a considerar o custo de proteção junto com as demais despesas do veículo.
Seguro auto sobe em agosto, mas segue abaixo de 2025
No resultado geral do estudo, o IPSA, indicador referente aos automóveis, passou de 4,3% em julho para 4,4% em agosto, alta de 2,3%. O IPSM, das motocicletas, recuou de 8,6% para 8,4% no mesmo período, queda de 2,3%.
Na comparação com agosto de 2025, ambos ficaram em patamares menores. O índice do seguro auto caiu de 5,2% para 4,4%, redução de 15,4%. O de motos passou de 9,7% para 8,4%, recuo de 13,4%. Essas variações descrevem o comportamento dos indicadores e não determinam o resultado da renovação de cada segurado.
O relatório IPSA + IPSM de agosto de 2026 está disponível gratuitamente para consulta. O levantamento considera veículos de até dez anos de uso, produto compreensivo, franquia de 100% e utiliza a mediana para compor os índices.
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