A Superintendência de Seguros Privados (Susep) divulgou nova edição do Boletim Susep, com informações sobre o desempenho dos mercados de seguros, previdência complementar aberta, capitalização e resseguro até abril de 2026. Os dados mostram avanço consistente dos seguros de danos e pessoas, mesmo diante da retração observada em outros segmentos do setor supervisionado.

Nos quatro primeiros meses do ano, o setor supervisionado pela Susep arrecadou R$ 139,59 bilhões, resultado 0,80% inferior, em termos nominais, ao registrado no mesmo período de 2025. Em valores corrigidos pela inflação (IPCA), a retração real foi de 4,79%. O desempenho foi impactado principalmente pela redução nas receitas dos produtos de acumulação, como VGBL e PGBL, e da capitalização.
Ainda assim, os seguros de danos e pessoas — excluindo o VGBL — mantiveram trajetória positiva, acumulando R$ 74,80 bilhões em receitas até abril, crescimento nominal de 6,13% e real de 1,85% em comparação com os quatro primeiros meses de 2025. O segmento respondeu por 55% das receitas totais do setor supervisionado no período.
Nos seguros de pessoas, o seguro de vida seguiu como destaque, arrecadando R$ 13,17 bilhões no acumulado do ano, avanço nominal de 10,69% e crescimento real de 6,24% frente ao mesmo período do ano passado. O produto representa quase metade (48,46%) de todo o segmento de pessoas, que somou R$ 27,17 bilhões até abril, com crescimento nominal de 10,39%. O seguro prestamista também apresentou forte desempenho, com alta nominal de 14,15% e arrecadação de R$ 8,10 bilhões no período.
Entre os seguros de danos, o seguro auto manteve a liderança do mercado, atingindo R$ 20,26 bilhões em prêmios até abril, crescimento nominal de 6,55% e real de 2,24% na comparação com o mesmo período de 2025. A modalidade representa 42% de todos os prêmios dos seguros de danos, consolidando-se como principal linha de negócios do segmento. No total, os seguros de danos arrecadaram R$ 47,63 bilhões nos quatro primeiros meses do ano, com crescimento nominal de 3,85%.
Outras linhas também apresentaram expansão relevante. Os seguros financeiros registraram um dos maiores crescimentos do período, com alta nominal de 25,30% e arrecadação de R$ 3,26 bilhões. O seguro habitacional cresceu 11,37%, enquanto a fiança locatícia avançou expressivos 35,02%, refletindo a dinâmica do mercado imobiliário e da locação. Em contrapartida, os seguros rurais apresentaram retração nominal de 3,62%, e o transporte recuou 12,05% no acumulado do ano.
O boletim também mostra que as indenizações, resgates, benefícios e sorteios pagos à sociedade totalizaram R$ 84,31 bilhões nos quatro primeiros meses de 2026. Apenas no segmento de seguros, as indenizações somaram R$ 25,84 bilhões no acumulado do período, evidenciando o papel do setor na proteção financeira de pessoas, famílias e empresas.
Nos produtos de acumulação, a arrecadação de contribuições superou o pagamento de benefícios e resgates em R$ 5,22 bilhões até abril. Já no resseguro, R$ 9,79 bilhões dos prêmios emitidos pelas seguradoras foram cedidos ao segmento nos quatro primeiros meses do ano. O boletim passou ainda a divulgar informações sobre a aceitação de riscos provenientes do exterior pelas resseguradoras locais. Até março de 2026, esse volume alcançou R$ 478,35 milhões, evidenciando a participação crescente do mercado brasileiro em operações internacionais de distribuição de riscos.
Outro dado relevante do levantamento é o crescimento das provisões técnicas do setor, reservas constituídas para assegurar o cumprimento de compromissos futuros com segurados e beneficiários. Em abril, o estoque alcançou aproximadamente R$ 2,14 trilhões, equivalente a 16,44% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, reforçando a relevância econômica do mercado supervisionado pela Susep.
Esses e outros dados estão detalhados no Boletim Susep de abril de 2026, disponível no site da Autarquia. Para consulta dinâmica das informações, acesse o Painel de Inteligência do Mercado de Seguros – Painel Susep.
