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De corretor para corretor

Fórmula 1, uma câmera de 1913 e uma lição ao mercado de seguros

Em um universo movido pela velocidade e pela padronização, a história de um fotógrafo na contramão inspira uma reflexão sobre identidade, posicionamento e diferenciação no mercado de seguros

Fórmula 1, uma câmera de 1913 e uma lição ao mercado de seguros

Tem coisas que me chamam atenção justamente porque parecem desafiar a lógica do que todo mundo considera certo. Foi isso que senti quando conheci o trabalho do Joshua Paul. Enquanto o universo da Fórmula 1 vive uma disputa constante por mais definição, mais velocidade, mais tecnologia e mais impacto visual, ele escolheu seguir pelo caminho oposto. Fotografar a principal categoria do automobilismo mundial com uma câmera de 1913 não é só uma escolha estética. É quase uma declaração de identidade. É alguém dizendo para o mundo que ainda enxerga valor em coisas que talvez o restante tenha desaprendido a observar.

E talvez o ponto mais interessante de tudo nem seja a câmera antiga. É o fato de ele ter conseguido atrair um público que originalmente nem era da Fórmula 1. Porque as pessoas que se conectam com as fotos dele muitas vezes não estão procurando corrida, ultrapassagem, resultado ou tecnologia. Elas estão procurando sensibilidade, arte, textura, alma. Gostam de fotografia, de composição, de sentimento, de imagens que fazem parar por alguns segundos. Elas só estavam vivendo a vida delas, apreciando arte, fotografia, imagem bonita, sensibilidade visual, não importa onde. Até que uma foto apareceu e fez elas pararem. E inevitavelmente, através desse olhar, acabam entrando no universo da Fórmula 1 sem perceber.

Joshua não tenta chamar atenção pela nitidez absurda, pelas cores gritantes ou pelo impacto imediato da imagem. Ele quer captar outra coisa. Uma informação menos óbvia. Mais humana. Mais silenciosa. É quase como se ele fotografasse o clima da Fórmula 1, e não apenas os carros ou os pilotos. Talvez seja exatamente isso que torna o trabalho dele singular. Enquanto muita gente tenta competir no mesmo lugar, ele simplesmente criou outro lugar para existir.

E acho que isso conversa muito comigo porque eu também acredito nessa ideia de construir o próprio caminho. Muitas vezes eu me vejo indo na contramão do que está sendo proposto, tentando observar o mercado por outro ângulo, tentando entender coisas que às vezes passam despercebidas para a maioria. E criar um caminho próprio quase nunca é confortável. Porque criar um caminho significa, muitas vezes, pavimentar uma estrada que ainda nem existe. Significa construir uma ponte onde ninguém construiu antes. Dá mais trabalho. Gera mais dúvida. Faz você ouvir mais opiniões. Mas, em compensação, quando dá certo, o benefício é enorme. Você deixa de ser apenas mais um fazendo igual. Você vira alguém singular.

E acho que no mercado de seguros existe uma pressão silenciosa para que o corretor tente ser tudo ao mesmo tempo. Atender todo mundo. Fazer todos os ramos. Estar em todos os nichos. Dominar todas as ferramentas. Falar com todos os públicos. Como se escolher fosse uma limitação, quando na verdade muitas vezes escolher é exatamente o que fortalece uma operação.

Tem corretor que gosta do relacionamento mais próximo, do cliente de bairro, da construção lenta de confiança. Tem corretor que gosta do empresarial. Tem quem tenha perfil consultivo. Tem quem seja extremamente operacional. Tem quem funcione melhor no digital. Tem quem seja excelente presencialmente. E tudo bem. O problema é quando o mercado faz parecer que não fazer determinada coisa diminui o valor daquilo que você já faz muito bem.

Nem toda oportunidade perdida é prejuízo. Às vezes é foco.

Existe uma diferença muito grande entre não fazer porque não consegue e não fazer porque escolheu direcionar energia para aquilo que realmente conversa com sua identidade profissional. E talvez maturidade seja justamente entender isso. Entender para quem você quer vender, como você quer atender, qual rotina você quer construir e até quais problemas você não quer trazer para dentro da sua operação.

Porque no fim das contas, o corretor que tenta atender todo mundo corre o risco de nunca criar profundidade com ninguém. Já aquele que entende o próprio jeito, o próprio ritmo e o tipo de cliente com quem consegue gerar conexão verdadeira começa a construir algo muito mais sólido. Não só uma carteira. Mas uma identidade.

E talvez seja isso que mais admiro no Joshua Paul. Ele não tentou caber no mercado existente. Ele criou espaço para existir do jeito que acreditava. E ao fazer isso, encontrou pessoas que estavam esperando exatamente aquilo, mesmo sem saber.