Por Cristiano Costa Rodrigues (Fox), sócio da Regional Corretora de Seguros e influenciador da Lojacorr.
Quantos eventos do mercado de seguros você participou neste ano? A pergunta pode parecer simples, mas leva a outra reflexão importante: em meio à rotina de clientes, renovações, cotações, sinistros, propostas, gestão da equipe e tantas outras demandas, quanto tempo você realmente reservou para pensar estrategicamente no seu negócio?
A rotina do corretor de seguros é intensa e, justamente por isso, existe o risco de o operacional ocupar praticamente todo o espaço da agenda. Quando isso acontece, sobra pouco tempo para acompanhar o que está mudando no mercado, conhecer novas possibilidades, trocar experiências com outros profissionais e pensar nos próximos passos da corretora.

É nesse sentido que considero a participação em eventos uma atividade estratégica. Não se trata simplesmente de sair do escritório para assistir a palestras, mas de ter contato com tendências, ferramentas, produtos, modelos de negócio e experiências que podem contribuir diretamente para a gestão da empresa. Muitas vezes, uma conversa durante um intervalo ou a troca de experiências com outro corretor traz uma ideia capaz de melhorar um processo, abrir uma nova frente comercial ou mudar a maneira como enxergamos determinada oportunidade.
Neste momento, temos um exemplo muito próximo. Nos dias 15 e 16 de outubro, a Lojacorr Seguros realiza sua 8ª Convenção Nacional, no Expotrade Convention Center, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Além de celebrar os 30 anos da empresa, o encontro foi estruturado para reunir corretores parceiros, lideranças e seguradoras em torno de conteúdo, negócios e relacionamento, com plenária, salas temáticas, mesas de negócios, feira, arena de tecnologia e operações e espaços voltados à interação entre os participantes.
Para mim, um dos pontos mais interessantes desse formato é justamente a possibilidade de combinar conhecimento com relacionamento e aplicação prática. O corretor pode acompanhar uma discussão sobre o futuro do mercado e, pouco depois, sentar com uma companhia, conversar com outro profissional que enfrenta desafios semelhantes ou conhecer uma solução que pode ser levada para a sua própria corretora. É essa combinação que torna a participação em um evento muito mais do que simplesmente assistir a uma programação.
E oportunidades não faltam. Em agosto, por exemplo, tivemos o 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, realizado no Rio de Janeiro pela Fenacor e ENS, com apoio do Sincor-RJ. Com o tema “A Nova Era da Distribuição de Seguros no Brasil”, o encontro colocou em discussão justamente as mudanças que estão ocorrendo na atividade e reuniu conteúdo técnico, negócios e relacionamento em uma mesma programação.
Ao mesmo tempo, já podemos olhar para 2027 e perceber que o calendário exige planejamento. Entre 31 de março e 2 de abril, Brasília receberá o 4º CONGRECOR – Congresso Regional Centro-Oeste, Minas Gerais e Espírito Santo dos Corretores de Seguros, com o tema “Do Algoritmo à Consciência — a revolução que está redefinindo empresas, pessoas e decisões”. De 23 a 25 de setembro será realizado o Conec 2027, no Distrito Anhembi, em São Paulo, com o tema “Humanamente Digital — O novo poder do corretor de seguros”.

Estou citando alguns eventos de grande porte apenas como exemplos, porque a agenda do mercado de seguros é muito mais ampla. Todos os meses, são realizados dezenas de encontros promovidos por seguradoras, entidades representativas, empresas, escolas e outros participantes do setor, em diferentes cidades e regiões do País. Há eventos nacionais e regionais, encontros comerciais, fóruns técnicos, treinamentos, lançamentos, reuniões de relacionamento e uma programação digital cada vez mais acessível, com lives, webinars e capacitações on-line. Ou seja, independentemente da região onde atua ou do tamanho da corretora, hoje o profissional encontra inúmeras possibilidades para se manter próximo das discussões do mercado.
É interessante observar que os próprios temas escolhidos para alguns dos grandes encontros dizem muito sobre o momento que estamos vivendo. Tecnologia, inteligência artificial, novos modelos de distribuição e transformação digital aparecem cada vez mais associados às pessoas, à capacidade de decisão e ao papel do corretor. Isso mostra que a discussão já não é simplesmente sobre adotar ou não uma nova ferramenta, mas sobre como o profissional vai se posicionar em um mercado que está mudando rapidamente.
Diante de tantas possibilidades, surge uma questão que considero fundamental: dentro da corretora, quem está participando desses encontros? Incentivar os colaboradores a buscar conhecimento é essencial e faz parte do desenvolvimento da equipe, mas o gestor também precisa reservar espaço para acompanhar essas discussões. Delegar é necessário para que o corretor consiga assumir uma posição cada vez mais estratégica, mas não podemos delegar completamente a responsabilidade de observar o mercado e pensar no futuro do negócio.
Também não acredito que seja necessário participar de tudo. Com uma agenda tão extensa, isso seria praticamente impossível. O corretor precisa selecionar os encontros que tenham relação com os objetivos da empresa e incorporar essas escolhas ao planejamento da corretora, prevendo investimento, deslocamentos, ausência do escritório e participação da equipe. Quando fazemos isso, o evento deixa de ser algo que encaixamos na agenda quando sobra tempo e passa a fazer parte da estratégia de desenvolvimento do negócio.
Outro ponto importante é o que acontece depois. Não adianta voltar de um congresso com dezenas de fotos, contatos e anotações se nada daquele conhecimento chegar à rotina da empresa. Vale compartilhar os principais aprendizados com a equipe, retomar os relacionamentos iniciados, avaliar as ferramentas conhecidas e escolher algumas ideias que possam efetivamente ser testadas ou implantadas.
Por isso, proponho um exercício: olhe para os últimos 12 meses e pense em quantos eventos você participou, quais profissionais conheceu, que ideias trouxe dessas experiências e, principalmente, o que conseguiu transformar em alguma ação dentro da corretora. Mais importante do que contabilizar presenças é perceber se esses momentos estão ajudando a ampliar sua visão sobre o negócio.
Administrar uma corretora exige atenção permanente ao presente, mas preparar a empresa para os próximos anos também requer momentos em que o gestor consiga sair da rotina operacional, ampliar seu repertório e observar o que está acontecendo ao redor. Participar de eventos, presenciais ou digitais, é uma das maneiras de fazer isso.
Talvez, portanto, a pergunta não seja apenas quantos eventos você participou neste ano, mas quanto espaço está reservando na sua agenda para aprender, se relacionar e pensar no futuro da sua corretora.


