Subir ao palco do maior congresso de inovação e tecnologia em seguros da América Latina, como finalista do Troféu Corretor Inovador do CQCS, tem um significado muito especial para mim. Há cerca de um ano, o que hoje é o CrossVida era uma inquietação dentro da minha corretora. Agora, essa construção chega a um espaço tão importante para o mercado, carregando o trabalho, as conversas, os questionamentos e as contribuições de muitas pessoas. Estar nessa final me faz olhar para todo esse percurso e perceber o quanto aquela ideia cresceu desde que comecei a colocá-la em prática.
No começo, ela nem tinha cara de projeto. Existia uma necessidade da operação e a vontade de encontrar uma forma de ampliar a proteção dos nossos clientes que coubesse na nossa rotina. Foi atendendo, vendendo, ouvindo objeções e ajustando abordagens que essa experiência começou a ganhar forma. Ao longo do caminho, precisei explicar o que estava fazendo, buscar apoio, defender possibilidades e rever minhas próprias certezas. O CrossVida foi amadurecendo nesse processo, até se organizar em um método, em uma jornada de mentoria e em um sistema.
Enquanto isso acontecia, algumas perguntas me acompanhavam. Será que isso só faz sentido para mim, para a minha equipe e para o meu jeito de trabalhar? Será que o que funciona dentro da Anko pode funcionar em outras corretoras? Consegui simplificar o suficiente para que outros profissionais compreendam e apliquem essa lógica? A mentoria e o sistema conseguem transmitir aquilo que aprendemos na prática? No fundo, eu queria entender até que ponto aquela experiência poderia ultrapassar a minha operação e se tornar uma contribuição para o mercado.
Chegar à final me traz uma resposta importante: existe interesse nessa construção para além das pessoas que já convivem comigo e acompanham meu trabalho. Isso dá confiança para continuar desenvolvendo o projeto e compreender sua aplicação em diferentes realidades. Também dá um orgulho enorme de lembrar de onde partimos, de quantas conversas foram necessárias e de quantas vezes uma objeção nos fez voltar, ajustar e encontrar uma solução melhor. Há muito trabalho envolvido em transformar algo que você sabe fazer em algo que outras pessoas também possam aprender e aplicar.
Recentemente, escrevi sobre a minha participação na Convenção Lojacorr, onde pude compartilhar experiências sobre prospecção ativa e relacionamento. Falei de algo que faz parte do nosso dia a dia: reconhecer as oportunidades que existem na própria carteira e ampliar a proteção de quem já confia no nosso trabalho. Aquela oportunidade de conversar com tantos corretores reforçou minha vontade de compartilhar o que estamos construindo. Agora, no CQCS, essa trajetória ganha outro espaço de discussão, incluindo o papel da mentoria e da tecnologia na organização desse conhecimento e na sua aplicação à rotina comercial.
Uma das perguntas que atravessam esse trabalho é por que temos tanta dificuldade de abrir espaço para outras maneiras de alcançar um objetivo que compartilhamos. Queremos mais pessoas protegidas, corretores desenvolvendo seus negócios e um mercado capaz de crescer. Se os resultados ainda estão aquém do que precisamos, faz sentido ampliar as possibilidades, ouvir outras experiências e testar caminhos. Uma abordagem diferente pode alcançar justamente aquele corretor ou aquele cliente que ainda não encontrou seu lugar nas estratégias que oferecemos.
Para isso, precisamos compreender como cada corretor trabalha, quais dificuldades enfrenta e o que cabe, de verdade, na sua operação. Existe conhecimento na experiência de quem atende, negocia, acompanha uma renovação e administra o pós-venda todos os dias. Aproximar esse conhecimento das decisões sobre produtos, comunicação e distribuição pode ajudar o mercado a construir propostas mais fáceis de compreender e colocar em prática. O desenvolvimento de uma solução fica mais consistente quando há espaço para ouvir quem vai trabalhar com ela.
É por isso que acredito tanto em um mercado mais conectado. Cada parte enxerga o mesmo negócio de um lugar diferente. O corretor acompanha de perto o cliente e a decisão de compra. Os profissionais das seguradoras trazem conhecimentos sobre produtos, riscos e distribuição, além das suas próprias inquietações sobre como fazer o mercado avançar. A Lojacorr aproxima essas experiências, compartilha conhecimento e apresenta possibilidades. Quando esses olhares se encontram, conseguimos entender melhor os problemas, antecipar dificuldades e construir soluções mais completas.
Eu reconheço essas contribuições no caminho que percorri. Há profissionais das seguradoras tão inquietos quanto eu, dispostos a ouvir, questionar e procurar novas possibilidades. Há a Lojacorr, que tem um papel fundamental nessa trajetória, sempre me tirando da zona de conforto, mostrando novos caminhos e me estimulando a olhar além do que já conheço. E há tantos corretores com experiências e ideias importantes, buscando espaço para serem ouvidos e contribuir com um mercado do qual participam todos os dias.
Serei eu naquele palco, mas estarei levando muitas vozes comigo. A voz desses profissionais, a da Lojacorr e a dos corretores que também acreditam que sua experiência pode ajudar a transformar alguma coisa. Sinto que estar ali é uma oportunidade de representar essas inquietações e mostrar o que pode acontecer quando encontramos disposição para ouvir e construir juntos. Essa responsabilidade torna a final ainda mais importante para mim. E é um grande prazer chegar até ela sabendo quantas pessoas, conversas e contribuições estarão presentes naquilo que vou apresentar.
