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Coluna do influenciador

O maior patrimônio do seu cliente não aparece no extrato

Antes de olhar apenas para imóveis, investimentos e reservas acumuladas, o corretor precisa considerar o valor da renda que o cliente ainda produzirá e o impacto financeiro caso essa capacidade seja interrompida

O maior patrimônio do seu cliente não aparece no extrato

Por Regiane Alves – Corretora de seguros há mais de duas décadas, sócia-fundadora da Lêmures Corretora, colunista e influenciadora da Lojacorr e coautora do livro Profissional de Seguros.

Quando um cliente é convidado a falar sobre seu patrimônio, normalmente começa pelos bens que já conquistou: a casa, o carro, os investimentos, a empresa ou algum imóvel adquirido ao longo da vida. Quase nunca inclui nessa conta o ativo responsável pela construção de todos os demais: sua capacidade de trabalhar e gerar renda. Esse talvez seja o patrimônio mais valioso de uma pessoa – e também um dos mais expostos.

Um profissional de 35 anos que ainda tenha três décadas de atividade pela frente poderá produzir um volume de recursos muito superior ao que possui atualmente. Sua renda futura sustentará a família, financiará a educação dos filhos, permitirá novos investimentos, garantirá a manutenção do padrão de vida e ajudará a realizar projetos que ainda nem saíram do papel.

Mas onde essa renda está protegida? Essa é uma pergunta que deveria fazer parte de toda conversa sobre planejamento financeiro. Afinal, uma estratégia não pode ser considerada completa se estiver concentrada apenas em acumular patrimônio, sem prever o que acontecerá se a fonte responsável por construí-lo for interrompida.

O patrimônio de hoje depende da renda de amanhã

Planilhas financeiras costumam ser montadas com base em uma premissa silenciosa: a de que a pessoa continuará trabalhando, recebendo e investindo normalmente nos próximos anos.

É com essa expectativa que se assumem financiamentos, mensalidades escolares, compromissos familiares e projetos de longo prazo. Também é sobre ela que se apoiam as metas de aposentadoria e formação patrimonial.

O problema é que morte, invalidez, doenças graves ou uma incapacidade temporária podem alterar completamente esse percurso. Quando a renda deixa de entrar, as obrigações permanecem. E aquilo que levou anos para ser construído pode começar a ser consumido rapidamente.

Por isso, antes de perguntar quanto o cliente tem acumulado, precisamos entender quanto da vida financeira dele ainda depende da renda que será produzida.

Essa mudança de perspectiva transforma a análise. O cliente pode possuir imóveis e investimentos e, ainda assim, apresentar uma grande vulnerabilidade. Também pode ter uma renda elevada, mas compromissos proporcionais a ela e uma reserva insuficiente para atravessar um período de afastamento. Ter patrimônio não significa necessariamente estar protegido.

Nem todo patrimônio está disponível quando a urgência chega

Outro ponto importante é a diferença entre possuir bens e dispor de liquidez. Uma família pode ter um bom patrimônio, mas encontrar dificuldades para acessar recursos rapidamente diante de uma emergência. Imóveis não são vendidos de um dia para o outro. Participações em empresas não se transformam imediatamente em dinheiro. Investimentos resgatados antes da hora podem gerar perdas ou comprometer objetivos planejados para o futuro.

A urgência, porém, não espera o melhor momento do mercado. Contas vencem, tratamentos precisam ser iniciados, despesas inesperadas aparecem e a rotina familiar precisa continuar. Quando não existe liquidez, a família pode ser obrigada a vender bens às pressas, contrair dívidas ou desmontar uma estratégia financeira construída ao longo de anos.

É justamente nesse intervalo entre o patrimônio existente e o dinheiro disponível que o seguro de vida cumpre uma de suas funções mais relevantes. Ele cria liquidez quando a família mais precisa, preservando escolhas e evitando que decisões importantes sejam tomadas sob pressão.

Não se trata apenas de deixar uma indenização. Trata-se de proporcionar tempo para que a família se reorganize sem precisar transformar uma perda emocional em uma crise financeira ainda maior.

Uma cobertura aparentemente alta pode ser insuficiente

Quando falamos em proteção da renda futura, também precisamos rever a forma de calcular o capital segurado. Valores isolados podem causar uma falsa sensação de segurança. Uma cobertura de R$ 500 mil, R$ 1 milhão ou até R$ 2 milhões parece expressiva quando observada fora de contexto. Mas será que ela realmente substitui a renda do cliente pelo período necessário? A resposta depende de uma análise mais ampla.

É preciso considerar quanto aquela pessoa gera por mês, quantos anos de atividade profissional ainda possui, quais despesas familiares sustenta, se existem dívidas, qual é a idade dos filhos e quais projetos deverão continuar mesmo na ausência ou no afastamento do principal provedor.

Também é necessário analisar o impacto de uma doença ou invalidez sobre o próprio segurado. Em determinadas situações, ele permanece vivo, mas passa a conviver com novas despesas justamente quando sua capacidade de gerar receita diminui. O cálculo correto não deve partir do valor que parece suficiente, mas da realidade que precisa ser preservada.

Isso não significa que o cliente necessariamente contratará toda a proteção indicada. A decisão dependerá de suas possibilidades e prioridades. No entanto, cabe ao corretor apresentar o tamanho real da exposição para que essa escolha seja consciente.

O corretor precisa enxergar o que o cliente ainda não vê

Muitos clientes não acordam pensando na necessidade de proteger sua renda futura. Eles pensam em investir melhor, comprar um imóvel, trocar de carro ou garantir a faculdade dos filhos. O papel consultivo do corretor é mostrar que todos esses objetivos dependem de uma base comum: a continuidade da renda.

Essa conversa não deve começar com uma lista de coberturas. Deve começar com perguntas: Se você precisasse parar de trabalhar hoje, por quanto tempo sua família conseguiria manter o padrão de vida? Quais projetos dependeriam diretamente da continuidade da sua renda? Quanto do seu patrimônio poderia ser acessado imediatamente sem provocar perdas? Quem assumiria as despesas se você enfrentasse uma doença ou invalidez?

Essas perguntas tornam o risco concreto sem recorrer ao medo. Elas ajudam o cliente a perceber que proteção financeira não é uma preocupação distante nem restrita à morte. É uma estratégia para impedir que um imprevisto interrompa tudo aquilo que ele ainda pretende construir.

Proteger o presente é preservar o futuro

O seguro de vida costuma ser associado ao patrimônio que uma pessoa deixará para a família. Mas ele também deve ser compreendido como uma forma de proteger o patrimônio que ainda seria construído.

Essa visão amplia a atuação do corretor. Em vez de trabalhar somente com os bens já existentes, passamos a considerar o potencial econômico do cliente, sua trajetória profissional e os compromissos que dependerão dela nos próximos anos.

Investimentos ajudam a formar patrimônio. O seguro ajuda a impedir que um imprevisto destrua essa construção antes que ela seja concluída. São funções diferentes, mas complementares dentro de um planejamento financeiro responsável.

O maior patrimônio do cliente talvez ainda não esteja na conta bancária, na carteira de investimentos ou registrado em seu nome. Ele está nos anos de trabalho, renda e realizações que ainda estão por vir. E proteger esse futuro é uma das contribuições mais importantes que um corretor de seguros pode oferecer.