A expectativa pela Copa do Mundo de 2026 já movimenta milhares de brasileiros que planejam acompanhar de perto o maior torneio de futebol do planeta. Mas, junto da empolgação com os jogos, cresce também um alerta importante: um imprevisto médico nos Estados Unidos, principal sede do evento, pode gerar despesas capazes de ultrapassar em até cinco vezes o valor investido em toda a viagem.
A preocupação ganha força diante do aumento contínuo dos custos de saúde no país. Dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC, ou CPI na sigla em inglês), divulgados pelo Departamento do Trabalho norte-americano, mostram que os gastos com cuidados médicos registraram alta de 4,2% em agosto de 2025, alcançando o maior patamar desde 2021, durante a pandemia. Mesmo antes desse avanço, o país já figurava entre os mais caros do mundo para atendimentos médicos.
A Copa do Mundo de 2026 terá uma dimensão inédita. Pela primeira vez, o torneio reunirá 48 seleções e contará com 104 partidas distribuídas entre Estados Unidos, México e Canadá. Apenas os EUA sediarão 78 jogos, concentrando a maior parte do fluxo turístico do evento, enquanto México e Canadá receberão 13 partidas cada.
Segundo levantamento da International Trade Administration, os Estados Unidos devem receber cerca de 2,3 milhões de brasileiros ao longo de 2026, impulsionados especialmente pelo Mundial. O cenário acende um sinal de atenção, já que grandes eventos esportivos costumam elevar a incidência de atendimentos médicos entre turistas, seja por exaustão, mudanças de alimentação, longos deslocamentos, quedas ou doenças respiratórias.
Durante a última Copa do Mundo, realizada no Catar, em 2022, aproximadamente 51 mil torcedores precisaram de algum tipo de atendimento médico, sendo parte deles encaminhada a hospitais.
Hugo Reichenbach, diretor de operações da Real Seguro Viagem, afirma que esse cenário preocupa porque, diferentemente do Brasil, onde o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece cobertura gratuita, o modelo norte-americano é baseado na iniciativa privada, com cobrança direta por consultas, exames e internações.
“Muitos turistas só percebem a importância de possuir um seguro viagem que contemple cobertura médica ao enfrentar situações inesperadas no exterior. Geralmente, eles sofrem de problemas gastrointestinais como intoxicação, diarreia, quedas e até mesmo gripes fortes. Se o brasileiro viaja sem seguro-saúde, o gasto que ele pode ter com a saúde privada nos EUA pode ser de até 5 vezes mais alto do que os valores gastos com a própria viagem”, afirma Reichenbach.
Além das emergências médicas tradicionais, eventos esportivos de grande porte também costumam aumentar os riscos relacionados a longas caminhadas, desidratação, acidentes leves, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e mudanças bruscas de clima entre cidades. Como a Copa será realizada em três países, muitos torcedores também devem combinar diferentes destinos na mesma viagem, aumentando o tempo de permanência e a exposição a imprevistos.
Outro ponto que chama atenção são os custos do sistema de saúde norte-americano. Dependendo do tipo de atendimento, uma simples emergência pode rapidamente gerar uma conta elevada para turistas estrangeiros sem cobertura.
Veja abaixo os valores médios de alguns atendimentos no país:
Consulta médica simples: entre US$ 100 e US$ 200 (cerca de R$ 510 a R$ 1.020)
Atendimento de emergência: cerca de US$ 2 mil (aproximadamente R$ 10.200)
Internações: entre US$ 3 mil por noite (cerca de R$ 15.300)
Fraturas ou partos: podem chegar a US$ 10 mil (cerca de R$ 51.000)
Além das despesas hospitalares, outros serviços comuns, como transporte por ambulância, exames de imagem e medicamentos, também podem elevar significativamente o valor final do atendimento.
Como a Copa será realizada em três países, a recomendação é optar por planos que ofereçam cobertura internacional ampla, garantindo assistência em todos os destinos da viagem.
“Para brasileiros, escolher um seguro-viagem antes da viagem, no seu próprio país, ajuda muito quando você precisa do serviço, porque o suporte em português pode ser um alívio para um momento de emergência mesmo para quem já é fluente em outra língua”, acrescenta Hugo.
Como funciona o seguro-viagem?
Apesar de não ser obrigatório para a entrada em nenhum dos três países-sede da Copa do Mundo de 2026, o seguro-saúde é amplamente recomendado para evitar prejuízos financeiros e garantir assistência em situações inesperadas durante a viagem.
Geralmente, o turista contrata o plano antes do embarque, o que permite avaliar com mais calma as opções disponíveis, os tipos de cobertura e escolher a alternativa que melhor se encaixa no orçamento e no perfil da viagem.
Em muitos casos, o atendimento é realizado diretamente em uma rede credenciada, sem necessidade de pagamento imediato, e pode contar até mesmo com teleconsultas que oferecem suporte 24 horas. No entanto, em situações de urgência, o viajante pode precisar arcar com os custos inicialmente e solicitar o reembolso posteriormente.
Além da contratação do seguro-viagem, especialistas também recomendam atenção aos cuidados básicos de saúde antes do embarque. O ideal é que o viajante faça uma avaliação médica prévia, especialmente em casos de doenças crônicas, e verifique se as vacinas estão em dia, conforme as exigências e recomendações do destino.
Outro ponto importante é montar um kit básico de medicamentos de uso contínuo e itens essenciais, como analgésicos e antialérgicos, sempre acompanhados de prescrição médica quando necessário. Durante a viagem, medidas simples como manter a hidratação, ter atenção à alimentação e adotar cuidados com higiene podem reduzir riscos de problemas comuns, como infecções gastrointestinais.
“Também é recomendado que o turista tenha fácil acesso a documentos importantes, como apólice do seguro, contatos de emergência e informações médicas relevantes. Esses cuidados, aliados ao planejamento adequado, contribuem para uma viagem mais segura e tranquila, especialmente em eventos de grande porte como a Copa do Mundo”, conclui o diretor de operações da Real Seguro Viagem.
