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Gestão

Tecnologia impulsiona o crescimento das corretoras

Ferramentas de gestão e relacionamento ajudam profissionais a organizar a rotina e dedicar mais atenção a novas oportunidades

Tecnologia impulsiona o crescimento das corretoras

Crescer uma corretora de seguros envolve mais do que ampliar o número de clientes. À medida que a carteira aumenta, também cresce a necessidade de organizar informações, acompanhar processos, manter o relacionamento com os segurados e identificar novas oportunidades comerciais. Nesse cenário, ferramentas de tecnologia podem apoiar o corretor na gestão da rotina e dar mais estrutura para decisões de negócio.

A digitalização permite reunir em diferentes plataformas informações que antes poderiam estar espalhadas entre planilhas, sistemas, e-mails e outros registros. Recursos de gestão de clientes, acompanhamento de processos, indicadores e automação ajudam a reduzir tarefas operacionais e organizar o fluxo de trabalho.

O movimento acompanha uma transformação mais ampla do mercado segurador. Segundo pesquisa da CNseg, as empresas do setor investiram quase R$ 20 bilhões em tecnologia e inovação em 2024, o equivalente a 2,6% da receita. O levantamento ouviu executivos de 55 companhias, que juntas representavam 55% do market share. O volume supera os quase R$ 17 bilhões investidos em 2023 e mostra a dimensão que a tecnologia vem assumindo na estratégia do setor.

A inteligência artificial também começa a ganhar espaço nessa transformação. Estudo divulgado pela CNseg em 2026 aponta que a tecnologia já está presente no mercado segurador, embora os impactos financeiros ainda sejam considerados incrementais. Nesse cenário, ferramentas digitais deixam de estar restritas às grandes estruturas das seguradoras e passam a fazer parte, gradualmente, da rotina dos profissionais que atuam na distribuição e no relacionamento com os clientes.

Para Sandro Ribeiro, sócio-fundador e diretor de tecnologia e operações da Lojacorr Seguros, o uso dessas ferramentas deve estar associado às necessidades reais do corretor. “Minha recomendação é começar pelo básico: organizar a carteira em um CRM para ter clareza de clientes e oportunidades. Depois, buscar sistemas que integrem processos repetitivos, de gestão e acompanhamento da carteira. Também é importante acompanhar indicadores, porque os dados mostram para onde você está indo e auxilia no seu planejamento de crescimento. E, por fim, não ter medo de experimentar ferramentas de IA no dia a dia, seja para comunicação, organização ou análise. Isso pode gerar muito ganho de tempo e eficiência.”

Tecnologia como apoio à rotina

A utilização de plataformas de gestão pode contribuir para que o corretor tenha uma visão mais organizada da operação. Em vez de depender exclusivamente de controles manuais, o profissional pode contar com recursos que concentram informações e facilitam o acompanhamento de clientes, apólices, atividades e indicadores.

Esse apoio também pode liberar tempo para uma das principais atividades da corretora: o relacionamento. Em um mercado no qual a proteção precisa ser ajustada às diferentes necessidades dos segurados, a tecnologia pode assumir parte das tarefas de organização e acompanhamento, enquanto o corretor concentra sua atuação na análise do contexto e na orientação ao cliente.

“O corretor precisa ter uma mentalidade aberta ao aprendizado contínuo. A IA e outras tecnologias não chegam para substituir, mas para ampliar suas capacidades. O segredo está em experimentar, se familiarizar e entender como cada ferramenta pode trazer mais eficiência no dia a dia. Ao mesmo tempo, é importante manter o olhar crítico: a IA é um apoio, mas quem dá o tom humano, interpretativo e consultivo é sempre o corretor”, afirma Ribeiro.

Mais espaço para a atuação comercial

A distribuição de tempo também é um fator preponderante, segundo levantamento da sexta edição do relatório State of Sales, publicado neste ano pela Sales Force. O relatório revela que os profissionais gastam apenas de 28% a 30% do seu tempo de trabalho vendendo ou em tarefas estratégicas. Os outros 70% a 72% do tempo são consumidos por atividades não operacionais diretamente ligadas à falta de automação ou uso ineficiente de ferramentas, tais como: inserção manual de dados e atualização do sistema (9% a 10%), geração manual de propostas e cotações (10%), tarefas administrativas gerais e reuniões internas de alinhamento (18%), pesquisa e prospecção manual de leads (17%).

O mesmo estudo conclui que empresas que otimizam o CRM e adotam automações registram um aumento de até 38% na produtividade geral e 26% de aceleração no fechamento de negócios.

Com informações organizadas, o acompanhamento da carteira também pode contribuir para identificar momentos em que uma nova conversa com o cliente faça sentido. Uma renovação próxima, uma mudança no perfil do segurado ou uma necessidade de revisão da proteção são exemplos de situações que podem demandar atenção do profissional.

A lógica é utilizar os recursos tecnológicos como apoio à tomada de decisão, e não como substitutos do relacionamento. A partir dos dados disponíveis, cabe ao corretor interpretar o contexto, entender as necessidades do cliente e definir a abordagem mais adequada.

Nesse processo, diferentes soluções podem atuar de maneira complementar. Enquanto ferramentas de relacionamento ajudam na organização da carteira, plataformas voltadas à operação podem concentrar etapas do ciclo de vida das apólices e facilitar o acompanhamento dos processos.

Para Sandro Ribeiro, essa integração reforça o papel do profissional em vez de reduzir sua importância. “O futuro será cada vez mais figital, unindo o digital à força do relacionamento humano. A IA generativa vai apoiar cada vez mais o corretor e segurados durante a sua jornada e seus processos e os sistemas vão estar cada vez mais integrados e compartilhando dados. Mas, no fim, a tecnologia não substitui o corretor: ela dá a ele um novo patamar de relevância, mais consultivo e estratégico, reforçando seu papel como parceiro de confiança do segurado.”

A combinação entre organização, tecnologia e relacionamento pode, assim, criar condições para que a corretora acompanhe o crescimento da carteira sem deixar de lado a proximidade com os clientes. Mais do que adotar ferramentas, o desafio está em incorporá-las à rotina de maneira coerente com os processos e objetivos de cada negócio.