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Coluna do influenciador

Do risco à oportunidade: como a regulamentação e a tecnologia estão moldando os seguros

Por Hugo Mariano, proprietário da Anko Corretora de Seguros (Recife-PE), Corretor Ouro, influenciador e colunista da Lojacorr.

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Historicamente, as grandes seguradoras deixaram de fora uma parcela significativa do mercado, especialmente clientes de baixa renda e veículos de maior risco, como caminhões. Muitos consumidores enfrentavam dificuldades para obter seguro, seja pelos altos preços ou pela recusa direta das seguradoras tradicionais.

Nesse contexto, cooperativas de seguros emergiram para atender a um público que necessitava de cobertura, mas não encontrava alternativas viáveis. Elas ofereceram preços mais acessíveis e aceitaram perfis de risco anteriormente excluídos pelas seguradoras convencionais.

Contudo, a ausência de regulamentação trouxe desafios significativos. Muitas cooperativas operavam sem reservas financeiras adequadas para cobrir sinistros, não cumpriam obrigações fiscais e careciam de normas rígidas de governança. Isso resultava em atrasos no pagamento de indenizações e, em alguns casos, na incapacidade de cumprir contratos com os segurados. Além disso, a falta de regras permitia que essas cooperativas oferecessem preços muito mais baixos que as seguradoras tradicionais, já que não tinham as mesmas responsabilidades fiscais e regulatórias.

Muitos corretores são contra as cooperativas e ainda lutam por sua extinção. No entanto, parece ser um caminho sem volta. Precisamos aprender a lidar com elas, entendê-las melhor e perceber que a regulamentação vem para ajudar demais nesse processo. Com a implementação de nova regulamentação, o setor iniciou um movimento de profissionalização.

Agora, as cooperativas precisam garantir provisões financeiras adequadas para cobrir sinistros, cumprir exigências fiscais e tributárias e seguir normas regulatórias para operar de forma transparente e sustentável. Embora essa mudança possa resultar em custos um pouco mais altos, ela traz mais segurança e estabilidade para os clientes, que podem confiar que suas indenizações serão pagas corretamente e dentro de prazos razoáveis.

Além disso, o modelo de negócio das cooperativas influenciou o mercado, forçando sua transformação. As seguradoras tradicionais precisaram entender melhor esses riscos e encontrar maneiras de abraçá-los. Como resultado, novas seguradoras estão surgindo e aproveitando a tecnologia e dados de telemetria para entender melhor o mercado e avaliar os clientes de maneira mais individualizada.

Com essa abordagem, elas conseguem criar produtos personalizados e precificar os seguros de maneira mais justa, ampliando o acesso e tornando o setor mais dinâmico. A telemetria, por exemplo, permite que as seguradoras acompanhem o comportamento do condutor em tempo real, analisando fatores como velocidade, frenagens bruscas e horários de uso do veículo. Dessa forma, o risco passa a ser avaliado de maneira específica para cada cliente, e não mais baseado em estatísticas generalizadas, permitindo que perfis antes excluídos pelo mercado tradicional tenham acesso ao seguro.

Esse modelo lembra a trajetória do Nubank, que começou atendendo clientes renegados pelas instituições financeiras tradicionais. O banco digital chegou a ultrapassar o gigante e centenário Itaú, tornando-se o banco mais valioso da América Latina. No entanto, esse primeiro lugar foi por pouco tempo, mas, independentemente disso, ele está consolidado entre os maiores.

Utilizando tecnologia e modelos inovadores de avaliação de risco, o banco digital conseguiu expandir seu mercado e hoje compete diretamente com os grandes players do setor. O mesmo pode estar acontecendo no mercado de seguros. Ao abraçar os riscos de forma mais democrática, com base em dados precisos e inteligência artificial, as novas seguradoras podem estar no caminho certo para transformar o setor e expandir a inclusão financeira, tornando o acesso ao seguro mais justo e acessível para um número maior de pessoas.

A regulamentação das cooperativas de seguros não apenas protege os consumidores, mas também equilibra o mercado e incentiva a inovação. O setor de seguros está se transformando; com o uso de tecnologia e novas abordagens para análise de risco, mais pessoas terão acesso a serviços que antes lhes eram negados, promovendo um mercado mais justo, transparente e acessível.

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