O mercado de seguros brasileiro registrou um movimento de retração nos primeiros dois meses de 2026. Segundo o boletim mais recente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), o faturamento acumulado entre janeiro e fevereiro somou R$ 68,32 bilhões, o que representa um recuo de 3,47% em relação ao mesmo período do ano passado.
Quando ajustado pela inflação, o recuo real do setor é maior, chegando a 7,39%.
No campo das indenizações e benefícios, o setor desembolsou R$ 40,47 bilhões, volume 11,58% inferior ao registrado no primeiro bimestre de 2025.
Crescem Seguros de Danos e Pessoas
Apesar da queda no volume geral (que engloba produtos de acumulação e capitalização), o segmento de seguros puramente voltado à proteção (Danos e Pessoas, excluindo VGBL) apresentou resiliência.
A arrecadação nessa frente somou R$ 35,86 bilhões, uma expansão de 2,35%.
- Seguro Auto: o principal ramo do setor teve um crescimento modesto de 1,84%, alcançando R$ 9,62 bilhões.
- Seguro de Vida e Prestamista: o Seguro de Vida avançou 6,78% (R$ 6,24 bilhões), enquanto o Prestamista saltou 17,66%, totalizando R$ 3,96 bilhões.
- Seguro Rural: no sentido oposto, o seguro agrícola sofreu uma queda de 8,07%, fechando o bimestre com R$ 2,18 bilhões.
Impacto tributário trava produtos de acumulação
O desempenho negativo do setor no consolidado foi puxado principalmente pelos produtos de previdência e acumulação de reservas. O segmento arrecadou R$ 27,7 bilhões, uma queda de 9,18%.
A maior pressão veio dos planos VGBL, cujas contribuições recuaram 11,04% (R$ 25,25 bilhões). O resultado reflete diretamente as novas regras do IOF, que passaram a incidir sobre aportes que ultrapassam a marca de R$ 600 mil, desestimulando movimentações de grandes volumes nestes instrumentos financeiros.
Títulos de Capitalização
A modalidade de capitalização também acompanhou a tendência de baixa. Com uma arrecadação de R$ 4,75 bilhões, o ramo registrou uma redução de 9,16% em termos nominais no confronto com o primeiro bimestre do ano anterior.

