O Seguro de Transporte de Cargas deve registrar crescimento de 6,6% em 2026, acompanhando a expansão do mercado segurador brasileiro, segundo projeções divulgadas pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). O desempenho reflete a maior demanda logística, impulsionada pelo comércio eletrônico, ao mesmo tempo em que o setor passa a lidar com riscos operacionais mais complexos e novas exigências regulatórias.
De acordo com a CNseg, o crescimento do segmento ocorre mesmo em um cenário de desaceleração em alguns setores da economia. A menor demanda por bens industriais e a contribuição mais moderada da produção agropecuária tendem a suavizar o ritmo de expansão, mas o volume de operações do embarcador nacional, do embarcador internacional e do transportador mantém o mercado em trajetória positiva.
Seguro de Transporte em números – Projeções CNseg para 2026
- Crescimento do seguro de transporte: +6,6%
- Embarcador nacional: +9,9%
- Embarcador internacional: +9,7%
- Transportador rodoviário: +4,5%
- Crescimento estimado do mercado segurador total: +8%
- Cenário macroeconômico projetado para 2026:
- PIB: +1,95%
- IPCA: 4,08%
- Selic (final do ano): 12%
- Câmbio médio: R$ 5,38/US$
Fonte: CNseg – Projeções divulgadas em dezembro de 2025
Mais risco na operação, mais exigência no seguro
O ambiente projetado para 2026 indica aumento da exposição a riscos logísticos, como acidentes, avarias, falhas operacionais e roubos de carga. Esse cenário pressiona a sinistralidade e exige maior rigor técnico na contratação e na gestão das apólices.
Para João Paulo, especialista em gestão de riscos e CEO da Mundo Seguro, o setor vive uma mudança estrutural. “O Seguro de Transporte está deixando de ser uma contratação padrão. As empresas precisam alinhar a apólice à realidade da operação, considerando rotas, tipo de carga, frequência e controles internos. Isso reduz surpresas em caso de sinistro e traz previsibilidade financeira”, afirma.
Segundo dados apresentados pela CNseg, o segmento enfrenta o desafio de equilibrar redução de taxas em um ambiente de aumento do risco, o que tende a ampliar a demanda por análises mais aprofundadas das operações logísticas e do perfil de exposição das empresas.
Tecnologia avança, mas não elimina o risco
O uso crescente de tecnologias como rastreamento, telemetria e análise de dados tem papel relevante na prevenção de perdas e no monitoramento das operações. No entanto, especialistas do setor alertam que a tecnologia precisa estar integrada a uma estratégia mais ampla de gestão de riscos.
“A tecnologia é fundamental para reduzir perdas, mas ela não funciona sozinha. Os dados precisam ser interpretados corretamente para orientar decisões de subscrição, prevenção e resposta a sinistros”, explica João Paulo.
Fiscalização reforça a formalização do mercado
Outro fator que deve influenciar o desempenho do seguro de transporte em 2026 é o avanço da fiscalização sobre o cumprimento das coberturas obrigatórias previstas na legislação. Desde setembro de 2025, os Transportadores Rodoviários Remunerados de Cargas (TRRC) precisam comprovar a contratação dos seguros exigidos por lei, o que aumenta a transparência e reduz práticas de subseguro.
“A fiscalização digital acelera a responsabilização. Empresas que operam sem cobertura adequada ou com apólices incompletas passam a ser rapidamente identificadas, o que eleva o nível de maturidade do mercado”, avalia João Paulo.
Seguro integrado à estratégia logística
Com crescimento projetado e desafios operacionais mais complexos, o Seguro de Transporte tende a ocupar um papel cada vez mais estratégico nas cadeias logísticas brasileiras. Para 2026, a expectativa do setor é de maior integração entre seguro, gestão de riscos e planejamento logístico, em um ambiente que exige eficiência operacional, previsibilidade e proteção financeira ao longo de toda a cadeia de transporte.