As mudanças climáticas vêm provocando transformações importantes na economia global, afetando diretamente o setor de seguros. No Brasil, eventos climáticos extremos, como enchentes, secas e tempestades, estão se tornando mais frequentes, aumentando os riscos e demandando uma adaptação estratégica das seguradoras.
O mercado precisa se reinventar para garantir a sustentabilidade do negócio e a proteção dos segurados.
Como as mudanças climáticas impactam o mercado de seguros?
O aumento da intensidade e frequência de eventos climáticos extremos gera grandes perdas para seguradoras e clientes. Confira abaixo as situações mais corriqueiras.
- Aumento da sinistralidade: fenômenos como enchentes, tempestades e deslizamentos de terra resultam em um maior número de sinistros, elevando os custos para as seguradoras.
- Reavaliação da precificação: com os riscos mais elevados, as seguradoras precisam recalcular os valores das apólices, tornando o seguro mais caro em regiões vulneráveis.
- Novos produtos e coberturas: o mercado precisa desenvolver soluções mais adaptadas, como seguros paramétricos e coberturas específicas para eventos climáticos extremos.
- Mudanças regulatórias: órgãos reguladores e entidades do setor impõem normas mais rigorosas para a avaliação dos riscos climáticos.
- Redução da oferta de seguros: em algumas regiões de alto risco, algumas seguradoras podem optar por restringir a oferta de apólices, dificultando o acesso à proteção.
Segmentos mais afetados no Brasil
As mudanças climáticas impactam diversos segmentos do setor de seguros. Acompanhe abaixo.
1. Seguros Residenciais e Patrimoniais
O aumento dos desastres naturais eleva os custos de indenização para danos estruturais em imóveis. Regiões costeiras e cidades com histórico de enchentes estão entre as mais impactadas. A necessidade de reconstrução e reparos frequentes pode tornar o Seguro Residencial um item essencial, mas também mais oneroso para o consumidor.
2. Seguros Rurais
A seca prolongada e eventos climáticos extremos prejudicam a produção agrícola, elevando a sinistralidade dos Seguros Rurais. Isso reforça a necessidade de medidas preventivas e incentivo a tecnologias agrícolas resilientes. Seguradoras têm investido em soluções que utilizam sensores climáticos para prever eventos e minimizar prejuízos dentro dos Seguros Rurais.
3. Seguros de Vida e Saúde
Doenças relacionadas às mudanças climáticas, como problemas respiratórios devido à poluição e aumento de doenças tropicais, impactam os custos dos Seguros de Saúde e Vida. O aumento das temperaturas também pode levar a uma maior incidência de doenças cardiovasculares e golpes de calor, exigindo adaptações nas coberturas e serviços.
4. Seguros Empresariais e Industriais
Empresas precisam lidar com danos a infraestruturas, paralisação de operações e prejuízos financeiros decorrentes de eventos climáticos extremos, o que demanda Seguros Empresariais mais completos. Indústrias que dependem de energia e água enfrentam desafios maiores e precisam de seguros mais abrangentes.
Como o mercado de seguros está se adaptando?
Diante desses desafios, seguradoras e corretores de seguros estão implementando estratégias para mitigar riscos e oferecer soluções mais eficazes. Confira algumas.
- Investimento em tecnologia: uso de big data e Inteligência Artificial para prever riscos climáticos e precificar apólices de forma mais assertiva.
- Parcerias com instituições climáticas: seguradoras colaboram com institutos de meteorologia para aprimorar a análise de riscos climáticos.
- Seguros sustentáveis: desenvolvimento de produtos voltados para clientes que adotam práticas sustentáveis, reduzindo impactos ambientais e custos com sinistros.
- Educação e conscientização: corretores de seguros têm um papel essencial na orientação dos clientes sobre a importância da prevenção e mitigação de riscos climáticos.
- Expansão dos seguros paramétricos: esse tipo de seguro é acionado automaticamente quando determinados critérios climáticos são atingidos, garantindo agilidade na indenização e reduzindo a burocracia.
- Maior regulação e fiscalização: órgãos governamentais exigem relatórios mais detalhados sobre riscos climáticos, impactando a forma como as seguradoras operam e precificam seus produtos.
Inteligência Artificial na previsão climática e o mercado de seguros
Em julho de 2024, durante a aproximação do furacão Beryl no Caribe, a maioria dos modelos meteorológicos tradicionais indicava que ele atingiria o México. No entanto, um sistema de Inteligência Artificial previu que o destino seria o Texas, o que acabou se confirmando alguns dias depois, trazendo graves consequências.
Essa previsão, feita para o Texas, evidencia o progresso das previsões meteorológicas com o uso da IA, onde sistemas cada vez mais avançados estão antecipando padrões climáticos com maior rapidez e precisão.
O uso de redes neurais e dados históricos
No caso específico da previsão do furacão Beryl, o programa responsável foi o GraphCast, uma ferramenta desenvolvida em Londres pela DeepMind, empresa do Google. Este sistema consegue realizar em minutos o que antes levava horas, ao analisar décadas de dados meteorológicos por meio de uma rede neural sofisticada.
Além do GraphCast, a DeepMind também desenvolveu o modelo NeuralGCM, que combina métodos tradicionais com IA para prever tendências climáticas de longo prazo, como o impacto das temperaturas dos oceanos no clima global nas próximas décadas.
Implicações para o setor de seguros
Esse avanço tecnológico vai além da meteorologia e tem grande impacto no mercado de seguros. A precisão aprimorada dessas previsões permite uma gestão de riscos mais eficiente. Um dos principais benefícios para as seguradoras é a melhoria na avaliação dos riscos.
Com previsões mais apuradas, as empresas podem calcular melhor a probabilidade de eventos extremos, ajustando suas apólices de maneira mais precisa, o que resulta em precificação mais justa e personalizada, evitando sub ou superestimativas que poderiam prejudicar tanto a seguradora quanto os segurados.
Velocidade e planejamento estratégico
A rapidez proporcionada pela IA também é um diferencial. Enquanto modelos convencionais levam horas para processar dados, os sistemas de Inteligência Artificial conseguem fazer isso em minutos.
Para o setor de seguros, essa agilidade é essencial para a ativação de planos de contingência, permitindo que as empresas alertem seus clientes e adotem medidas preventivas antes que o desastre ocorra.
Outro ponto importante é a capacidade de planejamento a longo prazo. Modelos de IA, como o NeuralGCM, auxiliam as seguradoras a identificar tendências futuras e a ajustar suas estratégias de acordo com as previsões das mudanças climáticas, possibilitando a criação de produtos adaptados às novas realidades climáticas.
Acessibilidade e inovação
Além disso, a acessibilidade da IA representa um grande avanço. Diferente dos supercomputadores tradicionais, que requerem altos custos e infraestrutura complexa, os modelos de IA podem ser executados em computadores comuns, o que democratiza o acesso a essas ferramentas avançadas para seguradoras de todos os tamanhos. Isso também favorece uma maior competitividade no mercado.
Desenvolvimento de apólices mais completas
A IA também possibilita novas descobertas científicas, identificando fatores que antes passavam despercebidos e que influenciam eventos climáticos extremos. Com essas informações, as seguradoras podem ajustar seus modelos de risco e desenvolver apólices que ofereçam maior proteção contra fenômenos específicos, como tornados e enchentes, fortalecendo suas carteiras de seguros.
Benefícios para clientes e seguradoras
Para os consumidores, esses avanços refletem em melhorias nas coberturas de seguro, nos preços e na prevenção de acidentes. Seguradoras que utilizam IA em suas previsões podem oferecer produtos mais alinhados com a realidade climática, aumentando a satisfação e confiança dos clientes.
Além disso, com dados precisos, as ofertas podem ser personalizadas, atendendo às necessidades específicas de cada segurado.
Por fim, a capacidade de prever eventos climáticos com mais precisão também pode reduzir as perdas financeiras das seguradoras.
Com informações mais detalhadas e no tempo certo, as empresas podem implementar estratégias de mitigação antes que os danos aconteçam, limitando assim o impacto financeiro dos desastres naturais. Isso fortalece a estabilidade financeira das seguradoras e protege os clientes de prejuízos devastadores.
A integração de sistemas de Inteligência Artificial na previsão climática representa uma grande oportunidade para o setor de seguros. Os benefícios são evidentes: maior precisão na avaliação de riscos, agilidade na resposta a eventos extremos, planejamento estratégico a longo prazo, maior acessibilidade tecnológica, avanços na descoberta científica e o desenvolvimento de produtos mais adequados às necessidades dos consumidores.
O futuro do mercado de seguros em cenário de mudanças climáticas
O cenário climático exige inovação e resiliência do setor de seguros. Com o avanço dos fenômenos extremos, é fundamental que o setor invista em soluções mais dinâmicas e sustentáveis para garantir a proteção de bens e vidas.
Corretores de seguros têm um papel fundamental na adaptação a essa nova realidade, ajudando clientes a entenderem os riscos e escolherem coberturas adequadas.
Com estratégias bem definidas, o mercado pode transformar os desafios em oportunidades e continuar crescendo de forma sustentável. O setor precisa estar cada vez mais atento às tendências climáticas e suas consequências, aprimorando constantemente seus serviços para oferecer proteção eficiente e acessível a todos os brasileiros.