O Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou nesta quarta-feira (4) a “Estimativa 2026”, projetando 781 mil novos casos anuais da doença no triênio 2026-2028. Mais do que estatísticas, o relatório traça uma radiografia socioeconômica: um Brasil que enfrenta os tumores da modernidade e do envelhecimento no Sul e Sudeste, enquanto ainda luta contra causas evitáveis e gargalos estruturais no Norte e Nordeste.
Centralidade do SUS e desafio global
Em um cenário de 781 mil novos casos, o Sistema Único de Saúde (SUS) continua sendo um órgão fundamental para a saúde da população. É a rede pública que garante a universalidade do tratamento, desde a vacinação contra o HPV até procedimentos de alta complexidade.
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatiza que o fortalecimento das políticas públicas é a estratégia central para reduzir a mortalidade, garantindo que a inovação médica chegue a todas as regiões.
Contudo, o desafio brasileiro está inserido em um contexto global preocupante. Projeções indicam um aumento nos casos e mortes por câncer até 2050, com a atenção à saúde masculina se tornando uma prioridade urgente.
Segundo estudo publicado na revista científica Cancer, a incidência de 28 tipos da doença pode quase dobrar nos próximos 50 anos, com destaque para o câncer de próstata, o mais comum entre homens acima dos 60 anos.
Lacuna na prevenção masculina
No Brasil, embora existam programas estruturados, o acesso a políticas focadas especificamente na prevenção masculina ainda enfrenta barreiras culturais e sistêmicas. Exames essenciais como o PSA e a colonoscopia ainda encontram resistência por parte dos homens, o que contribui para a disparidade nas taxas de mortalidade em comparação às mulheres.
Essa realidade ressalta a importância de medidas preventivas e diagnósticos precoces. Em países em desenvolvimento, a tendência de aumento na incidência de cânceres entre homens mais velhos torna a necessidade de uma cobertura de saúde abrangente ainda mais evidente, funcionando como um complemento necessário ao sistema público.
A cultura da medicina preventiva e o setor de seguros
Diante deste panorama, o setor de seguros tem um papel fundamental na antecipação e suporte financeiro. Para Margot Valmorbida, diretora da Protteges Corretora de Seguros, a conscientização deve ser uma constante, independente de calendários sazonais.
“Temos que disseminar a cultura da medicina preventiva, a necessidade do check-up anual, para que, cada vez mais, a população consiga se proteger e prevenir de fragilidades na saúde”, ressalta Margot.
A diretora destaca que o Seguro Saúde é uma ferramenta poderosa para garantir o acompanhamento médico regular. No contexto das projeções alarmantes, ter uma apólice adequada pode ser o diferencial entre um diagnóstico precoce e a descoberta tardia de uma condição que poderia ter sido tratada com mais eficácia.
Planejamento e segurança financeira
O Seguro Saúde facilita o acesso a consultas com especialistas e tratamentos avançados que, muitas vezes, possuem alta demanda. Além do aspecto clínico, há a questão do planejamento. Margot orienta que os corretores devem educar os clientes sobre a importância de garantir o amparo antes da necessidade imediata.
“A contratação do Seguro Saúde deve ocorrer antes da realização dos exames para que, caso ocorra algum diagnóstico, a pessoa possa ter seu tratamento coberto, evitando a carência dos procedimentos de alta complexidade”, explica a diretora.
O Brasil de 2026 e as projeções para 2050 revelam que o câncer exige uma frente unida: de um lado, políticas públicas e o fortalecimento do SUS para reduzir as desigualdades; de outro, a conscientização individual e o planejamento por meio do setor privado para garantir agilidade e suporte nas fases mais críticas da vida.
Seguro de Vida para doenças preexistentes
Muitas pessoas ainda não sabem que adquirir Seguro de Vida não é somente pensando no próximo (familiares beneficiados). Nem apenas para futuros diagnósticos de doenças graves, ou ainda para invalidez e incapacidade para o trabalho. Também é possível fazer apólice para doenças preexistentes declaradas na contratação, incluindo o câncer de mama.
Portanto, pessoas já com histórico de doenças podem ter o seguro. “Não é somente os familiares que podem ser beneficiados. O seguro pode ser usado pelo próprio contratante. Apesar de muita gente achar que com doença preexistente não é possível fazer seguro de vida, ter a doença de conhecimento do contratante, em regra, não impede a contratação”, explica Antonio Carlos Fois, diretor Regional Centro Sudeste da Lojacorr.
Ele também explica que o que conta, realmente, é que o contratante não omita a informação na hora de contratar. “Quando o contratante for preencher o formulário é indispensável que ele seja honesto e declare doenças que já possui diagnosticadas. Ele não deve omitir a preexistência da doença para que na hora da seguradora aprovar, ele não seja comprometido pela cobertura”, ressalta.