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Transporte

Engenharia do Seguro de Transporte para transformar risco logístico em eficiência financeira

Em análise técnica, especialista explica por que o gerenciamento de riscos e a análise de dados são os novos diferenciais para o setor

caminhão seguro transporte

O Seguro de Transporte no Brasil atravessa uma fase de transição. O que antes era encarado apenas como um item de conformidade legal, hoje assume o papel de ferramenta de governança. 

Segundo Ricardo Diniz, da Trans Prime Consultoria e Corretagem de Seguros — parceira da Lojacorr Seguros —, o papel do corretor é traduzir a complexidade das apólices em benefícios diretos para a saúde financeira das empresas, focando na preservação da margem de lucro e na continuidade do fluxo de caixa.

Seguro como ativo estratégico

A proteção contra perdas no trajeto é o que garante que um incidente isolado não interrompa o cronograma de crescimento de uma organização. 

Diniz defende que, ao apresentar o produto ao empresariado, o corretor deve destacar quatro frentes. Acompanhe.

  1. Blindagem do fluxo de caixa: prevenção contra desembolsos não previstos.
  2. Preservação da margem: garantia de que o lucro da venda não seja corroído por perdas físicas.
  3. Previsibilidade: estabilidade nos custos operacionais.
  4. Sustentação do crescimento: segurança para expandir rotas e volumes.

“Quando o empresário compreende esses pontos, o seguro deixa de ser uma obrigação e passa a ser uma decisão inteligente de gestão”, pontua Diniz.

Telemetria e a nova era da precificação

Em 2026, a tecnologia deixa de ser um conceito abstrato para se tornar um fator de redução direta no custo do seguro. A integração entre telemetria e gerenciamento de riscos permite que as seguradoras precifiquem as apólices com base na realidade operacional de cada cliente, e não apenas em médias estatísticas.

Essa transparência beneficia o segurado que investe em boas práticas. “A gestão baseada em dados permite prêmios menores e mais alinhados à operação, além de diminuir o número de sinistros, o que torna a cadeia logística nacional mais dinâmica para todos os envolvidos”, explica o especialista.

Distinção técnica entre RCTR-C e transporte nacional

Um dos pontos de maior confusão no mercado é a diferença entre o seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C) e o Seguro de Transporte Nacional (destinado ao dono da carga). Diniz esclarece que a distinção é operacional e financeira. Saiba mais a seguir.

  • RCTR-C: foca na obrigação legal do transportador em indenizar danos a terceiros sob sua responsabilidade. Protege a empresa de transporte perante a lei.
  • Transporte nacional: foca na reposição do patrimônio (a mercadoria) para o dono da carga.

A compreensão de que estas coberturas não competem entre si, mas protegem partes distintas da mesma engrenagem, é fundamental para o corretor evitar lacunas de proteção que podem causar prejuízos severos.

Risco ambiental e proteção reputacional

Diante de uma infraestrutura muitas vezes precária e do aumento do rigor das agências fiscalizadoras, a cobertura de limpeza de pista e mitigação de danos ambientais tornou-se indispensável. Diniz destaca que o Seguro de RC Ambiental do Transporte é o caminho para uma proteção mais abrangente.

“Em casos de derramamento de mercadorias, essa apólice atua para mitigar prejuízos tanto em propriedades públicas quanto particulares, evitando multas pesadas e preservando a imagem da empresa diante de uma exposição midiática negativa”, afirma.

Diagnóstico de vulnerabilidades na carteira

O corretor atua como um “diagnosticador” de riscos ocultos. Diniz aponta que empresas que já possuem seguros patrimoniais frequentemente escondem vulnerabilidades logísticas. 

Sinais como o uso recorrente de transportadores terceirizados, vendas interestaduais constantes e o uso inadequado de termos de comércio (Incoterms), como FOB (Free on Board) e CIF (Cost, Insurance and Freight), indicam que a logística pode estar mal dimensionada.

O desafio do profissional é mostrar que a logística desprotegida causa um prejuízo silencioso, que muitas vezes só é percebido quando o sinistro ocorre e a empresa se vê sem o respaldo adequado.

Eficiência operacional por meio da sinistralidade

A análise profunda do histórico de sinistros permite que o seguro atue como um consultor de eficiência. Ao avaliar os dados, o corretor pode sugerir mudanças práticas na rotina do cliente:

  • Ajustes de rotas críticas e troca de fornecedores logísticos.
  • Treinamentos específicos para condutores.
  • Melhorias em embalagens e novos protocolos contratuais.

Essas ações resultam em um ciclo positivo: redução de taxas, franquias menores e a manutenção do prêmio mesmo com o aumento do volume de carga. Para Diniz, é essa postura técnica que eleva o corretor ao status de especialista e parceiro de confiança do segurado.