Facebook Pixel

Transporte

Crise do diesel e o impacto da instabilidade global no seguro de transportes

Barril a US$ 110 e rigor da ANTT exigem atenção ao piso do frete para evitar agravamento de risco e perda de cobertura nas apólices de transporte

Cobertura para caminhões

A escalada do conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz provocaram um choque de oferta que elevou o barril de petróleo ao valor de US$ 110. No Brasil, o reflexo foi imediato: o preço médio do diesel nos postos saltou 11,8% em apenas uma semana, atingindo R$ 6,80 por litro. 

Diante do risco iminente de uma greve de caminhoneiros em ano eleitoral, o Governo Federal anunciou um pacote de R$ 30 bilhões em subvenções, incluindo um endurecimento sem precedentes na fiscalização do frete.

Para o mercado de seguros, essa conjuntura altera profundamente a matriz de risco. O pacote do Ministério dos Transportes e da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) prevê a suspensão imediata do registro de empresas que pagarem fretes abaixo do piso mínimo e a criação de uma lista pública de infratores. 

“Efeito tesoura” e a sinistralidade por fadiga

O aumento de 20,24% no diesel em algumas regiões cria o que analistas chamam de “efeito tesoura”: os custos operacionais sobem enquanto o repasse no valor do frete é lento. Em geral, quando a margem de lucro do transportador é asfixiada, os primeiros cortes ocorrem na manutenção preventiva e no rigor do gerenciamento de risco (GR).

Com este panorama, as seguradoras preveem um aumento na frequência de sinistros de RCTR-C (acidentes). Pneus desgastados, sistemas de freios sem revisão e jornadas de trabalho estendidas para compensar o baixo valor do quilômetro rodado são os principais indutores de tombamentos e colisões. 

O corretor atua, aqui, como um consultor de riscos, alertando que a precarização da frota pode levar ao agravamento de risco e à perda de direitos indenizatórios.

Risco de operar fora da tabela

A medida mais contundente do governo é a fiscalização integral (100%) sobre empresas reincidentes no descumprimento da Tabela de Fretes. Acompanhe quais serão os impactos.

  • Perda de cobertura: se uma transportadora tiver seu registro na ANTT suspenso ou cassado, ela perde a condição legal de operar. Nas Condições Gerais da maioria das apólices, o transporte realizado em veículo ou por empresa em situação irregular perante órgãos reguladores é cláusula de exclusão ou perda de direito.
  • Confronto de dados: com a digitalização via CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte), as seguradoras passam a ter ferramentas para cruzar o valor do frete pago com o valor averbado. Discrepâncias podem gerar falhas em processos de regulação de sinistros.

Inflação logística e o “subseguro”

A previsão de que a crise do diesel elevará a inflação em 0,11% ainda em 2026 traz um alerta para a atualização de apólices. Com o custo logístico embutido no preço das mercadorias, o valor das Notas Fiscais tende a subir.

O corretor da Lojacorr Seguros deve estar atento para que os seus clientes não entrem em subseguro — quando a Importância Segurada é inferior ao valor real da carga transportada. A revisão dos Limites Máximos de Garantia (LMG) torna-se prioritária para evitar prejuízos em casos de perda total ou roubo (RCF-DC).

Pontos de atenção para o corretor de seguros

É necessário que, nesse contexto, o corretor de seguros adote uma postura ainda mais proativa perante seus clientes. Veja algumas dicas: 

  1. Monitoramento da “lista suja”: verifique se algum cliente ou parceiro logístico do segurado consta na lista de infratores da ANTT, o que aumenta o risco reputacional e de aceitação.
  2. Atualização de verbas: revise as apólices de produtos sensíveis à inflação logística, adequando os limites de cobertura aos novos preços de mercado.
  3. Gestão de crise em rodovias: com a ameaça de bloqueios, oriente sobre a importância de pernoites em locais autorizados para evitar recusas por estacionamento indevido.