O IBV Auto, índice do Banco BV que acompanha a variação de preços de automóveis leves usados no Brasil, registrou alta de 0,46% em dezembro, acima do avanço de 0,39% observado em novembro. O movimento indica uma leve aceleração na inflação dos usados no encerramento de 2025. No acumulado de 12 meses, o índice aponta crescimento de 5,31%, evidenciando que o segmento segue aquecido mesmo em um cenário de desaceleração gradual da economia e de acomodação nos preços dos veículos novos.
De acordo com Carlos Lopes, economista do banco BV, o resultado confirma uma tendência observada ao longo do segundo semestre de 2025. “A inflação do carro usado voltou a superar o IPCA, sustentada pelo bom desempenho do mercado de trabalho, mesmo com juros elevados e um ambiente de aperto monetário. Ainda que o ritmo anual tenha desacelerado para cerca de 5,3%, o mercado de usados permanece resiliente”, afirma.
Para 2026, a expectativa é de continuidade da valorização, porém em ritmo mais moderado. “Os preços devem seguir em alta, mas com um avanço inferior ao observado em 2025”, projeta o economista.
Reflexos diretos no mercado de seguros
A elevação dos preços dos veículos usados tem impacto relevante sobre o mercado de seguros de automóveis. Com valores de mercado mais altos, cresce a importância de revisões periódicas do valor segurado para evitar subseguro, especialmente em apólices contratadas ou renovadas antes do ciclo recente de valorização. O movimento também pressiona os custos de indenizações por perda total e influencia o cálculo de prêmios, franquias e reservas técnicas das seguradoras.
Além disso, a inflação dos usados tende a aumentar a atratividade do seguro para veículos com mais tempo de uso, ampliando oportunidades para corretores atuarem na atualização de coberturas, na adequação de capitais segurados e na oferta de produtos com assistência e serviços agregados, cada vez mais valorizados pelos consumidores.
Destaques regionais e por modelo
Em dezembro, os principais vetores de alta do índice foram modelos amplamente presentes nas carteiras de seguro, como Toyota Corolla (+0,52%), VW Gol (+0,50%) e GM Onix (+0,43%). Na outra ponta, VW Polo Sedan (-0,25%), Peugeot 208 (-0,16%) e VW Virtus (-0,11%) apresentaram as maiores quedas no mês.
Regionalmente, o Sul liderou a variação mensal, com inflação de 0,57%. O Rio de Janeiro se destacou entre os estados, com alta de 1,90% em dezembro e avanço de 6,72% no acumulado de 12 meses. Em contrapartida, 11 estados registraram deflação no período, com o Distrito Federal apresentando a maior queda (-1,28%). Essas diferenças regionais reforçam a necessidade de análises localizadas para correta precificação do seguro e avaliação de risco.
Desvalorização por tipo de propulsão e efeitos na cobertura
O IBV Auto também evidencia comportamentos distintos de desvalorização conforme o tipo de veículo. Modelos elétricos lançados em 2022 acumulam desvalorização de 47,1% até dezembro de 2025, reflexo direto da queda nos preços dos veículos novos e da rápida evolução tecnológica. Já os híbridos do mesmo ano registram retração de 20%, enquanto os modelos a combustão apresentam desvalorização média de 12,3%.
Nos veículos de 2021, a desvalorização é menor, pois esses modelos chegaram a se valorizar no período pós-pandemia. Até dezembro de 2025, a queda acumulada é de 16,6% para híbridos e 6,2% para veículos a combustão.
Para o mercado segurador, esse cenário reforça desafios e oportunidades. Nos elétricos e híbridos, a rápida desvalorização exige atenção redobrada à atualização do valor referenciado, ao custo de peças, à especialização da reparação e à estrutura de assistência. Já nos modelos a combustão, a maior estabilidade relativa contribui para previsibilidade de risco e de sinistralidade.
Metodologia e robustez do índice
O IBV Auto (Índice BV Auto) foi desenvolvido para medir com precisão a variação de preços de automóveis leves usados no Brasil, a partir de uma ampla base de transações reais do banco BV, líder em financiamento de veículos. A metodologia considera critérios rigorosos de amostragem, ajustes por depreciação e agrupamento técnico de modelos, permitindo análises por região e por tipo de propulsão — combustão, híbrido ou elétrico.
A ponderação do índice leva em conta o valor total das negociações (volume multiplicado pelo preço), atribuindo maior peso aos veículos mais caros e mais comercializados. O ano-base nacional é 2019, com índice fixado em 100, possibilitando comparações consistentes ao longo do tempo. Nos recortes regionais, a base é ajustada conforme as diferenças médias de preços em relação ao mercado nacional.
Além de acompanhar a inflação dos usados, o indicador permite comparar mensalmente a desvalorização de cestas equivalentes de veículos ICE, HEV e BEV, oferecendo subsídios relevantes para seguradoras, corretores, financiadores e consumidores na tomada de decisão.