A Superintendência de Seguros Privados (Susep) divulgou os dados de janeiro de 2026 sobre o desempenho dos mercados de seguros, previdência complementar aberta e capitalização no país. O levantamento aponta um início de ano marcado por estabilidade no volume total arrecadado e por crescimento consistente nos seguros de pessoas.
No primeiro mês de 2026, o setor supervisionado arrecadou R$ 36,17 bilhões, resultado que representa uma leve alta nominal de 0,51% em relação a janeiro de 2025. Apesar da variação positiva, o dado reflete um cenário de estabilidade, especialmente quando considerada a inflação do período.
O montante devolvido à sociedade por meio de indenizações, resgates, benefícios e sorteios totalizou R$ 21,71 bilhões no mês, evidenciando o papel do setor como importante mecanismo de proteção financeira e mitigação de riscos para famílias e empresas.
Nos seguros de danos e pessoas — excluindo o VGBL — as receitas somaram R$ 18,28 bilhões em janeiro, com crescimento nominal de 1,91% na comparação anual. O desempenho reforça a resiliência do segmento, mesmo em um ambiente econômico ainda desafiador.
Entre os seguros de danos, o seguro auto segue como principal linha de negócios, com arrecadação de R$ 4,98 bilhões e crescimento nominal de 1,85%, mantendo sua relevância estrutural no mercado e representando 42% do total do segmento. No entanto, outros ramos apresentam dinâmicas distintas, com destaque para o avanço dos seguros financeiros, habitacional e fiança locatícia, enquanto segmentos como rural e riscos especiais registraram retração no período.
Já no segmento de seguros de pessoas, os números confirmam uma trajetória de expansão mais acelerada. O volume arrecadado atingiu R$ 6,50 bilhões, com crescimento nominal de 10,28% em relação a janeiro de 2025. O seguro de vida, principal produto do segmento, avançou 9,38%, enquanto o seguro prestamista se destacou com crescimento expressivo de 20,05%, refletindo a ampliação do crédito e a maior demanda por proteção atrelada a operações financeiras.
Esse movimento reforça uma tendência estrutural do mercado: a consolidação dos seguros de pessoas como vetor de crescimento, impulsionados pelo aumento da conscientização sobre proteção financeira, pelo envelhecimento da população e pela maior integração com produtos de crédito e serviços.
Nos produtos de acumulação, que incluem VGBL, PGBL e previdência tradicional, a arrecadação de contribuições alcançou R$ 15,50 bilhões no mês. Mesmo com crescimento nominal modesto de 0,33%, o segmento apresentou resultado líquido positivo, com as contribuições superando os resgates e benefícios em R$ 2,78 bilhões, sinalizando continuidade no processo de formação de reservas de longo prazo.
Por outro lado, o segmento de capitalização registrou retração, com receitas de R$ 2,39 bilhões e queda nominal de 8% na comparação anual, indicando um comportamento mais sensível às condições econômicas e ao consumo das famílias.
Outro destaque é a evolução das provisões técnicas do setor, que atingiram aproximadamente R$ 2,08 trilhões em janeiro de 2026, equivalente a 16,27% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O crescimento dessas provisões acima da média da economia, observado nos últimos anos, evidencia o fortalecimento estrutural do mercado segurador e sua relevância como formador de poupança de longo prazo.
Os dados reforçam que, mesmo em um cenário de estabilidade no volume total arrecadado, o setor segue em transformação, com mudanças na composição dos produtos e maior protagonismo dos seguros de pessoas. Para os corretores, esse movimento abre espaço para uma atuação mais consultiva e estratégica, especialmente na oferta de soluções de proteção financeira alinhadas às novas demandas da sociedade.
Esses e outros dados estão detalhados no Boletim Susep de janeiro de 2026, disponível no site da Autarquia.
Para consulta dinâmica das informações, acesse o Painel de Inteligência do Mercado de Seguros – Painel Susep.
