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Tecnologia

IA redefine o trabalho no mercado de seguros sem eliminar o papel do corretor

Com 96% das seguradoras globais mantendo ou ampliando investimentos em tecnologia, a inteligência artificial passa a redesenhar rotinas de um setor que já responde por cerca de 6% do PIB brasileiro

IA redefine o trabalho no mercado de seguros sem eliminar o papel do corretor

Durante anos, o avanço da inteligência artificial (IA) foi associado à substituição de postos de trabalho em setores intensivos em serviços. No mercado de seguros, porém, a trajetória tem sido outra. O Insurtech Global Outlook 2025 mostra que 96% das seguradoras no mundo pretendem manter ou ampliar investimentos em tecnologia, com prioridade para inovação digital, automação e IA. Na prática, a tecnologia tem sido adotada para reduzir fricções operacionais, apoiar decisões e liberar tempo para atividades de maior valor, como relacionamento, análise de riscos e desenho de soluções personalizadas.

Essa leitura converge com o Future of Jobs Report do World Economic Forum. O estudo estima que, até 2030, 92 milhões de postos serão deslocados globalmente pela automação, enquanto cerca de 170 milhões de novas funções devem surgir, sobretudo ligadas a tecnologia, dados e tomada de decisão. O impacto central da IA, portanto, não é a eliminação direta de pessoas, mas a reconfiguração das tarefas e das competências exigidas.

No Brasil, essa transformação ganha peso adicional. Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) indicam que o mercado segurador arrecadou mais de R$ 376 bilhões em prêmios entre janeiro e novembro de 2025, mantendo crescimento acima da média da economia e representando cerca de 6% do PIB nacional. Em um ambiente altamente regulado e baseado em confiança, a tecnologia tem sido incorporada como complemento ao trabalho humano, e não como substituta.

A dinâmica também aparece nas projeções de mercado de trabalho. Levantamento da Randstad Research aponta que, no Brasil, 9,7 milhões de empregos podem ser automatizados na próxima década, ao mesmo tempo em que 7,1 milhões de novas funções devem ser criadas – um sinal claro de transformação estrutural, não de extinção do trabalho.

Esse contexto ajuda a explicar a aceleração dos investimentos em insurtechs no país. Em 2025, a Azos captou R$ 170 milhões para expandir o uso de IA ao longo de toda a operação. “Esse volume de recursos voltado à tecnologia revela uma mudança estrutural no mercado de seguros: não se trata de substituir pessoas, mas de criar sistemas que apoiem decisões melhores, mais rápidas e com menos fricção”, afirma Rafael Cló, CEO da empresa.

IA como apoio operacional no dia a dia do corretor

Na prática, a IA tem sido direcionada a gargalos históricos do setor – burocracia, processos manuais e baixa padronização. Insurtechs passaram a incorporar a tecnologia diretamente nos fluxos de trabalho, funcionando como uma camada contínua de suporte aos profissionais.

Na Azos, por exemplo, a IA atua como infraestrutura operacional para corretores, equipes de atendimento e áreas internas. Soluções como o Cotador Inteligente, que viabiliza cotações via WhatsApp por texto ou áudio, e o PergunteAI, focado em esclarecer dúvidas sobre apólices, subscrição e processos, aceleram decisões e reduzem retrabalho sem eliminar o papel do corretor.

Outras ferramentas operam nos bastidores. O Rivaldo Churn, copiloto de retenção integrado ao Slack, mais que dobrou a taxa de reversão de cancelamentos em 30 dias, de 8% para 17%, ao orientar equipes com recomendações baseadas em dados. Já o MonitoraAI analisa 100% das interações de atendimento – e-mails, chats e WhatsApp – ampliando o controle de qualidade, reduzindo riscos de erro e antecipando oportunidades de melhoria.

Para João Levandowski, diretor Comercial da companhia, a tecnologia aproxima o corretor do que é essencial. “Quando a IA assume tarefas repetitivas e operacionais, o corretor ganha espaço para atuar onde é insubstituível: relacionamento, compreensão do cliente e orientação estratégica.”

Mais do que um ganho de eficiência, a adoção de IA sinaliza uma mudança estrutural no modelo operacional do setor. Em um mercado regulado e ancorado na confiança, a tecnologia deixa de competir com o corretor e passa a ampliar sua capacidade de atuação, elevando qualidade, escala e precisão – sem abrir mão do fator humano.