As lideranças empresariais globais entram em 2026 diante de um cenário de riscos cada vez mais interligados, marcado pelo aprofundamento das divisões geopolíticas, pela intensificação da confrontação geoeconômica e pela expansão da desinformação. Esse é o diagnóstico do Relatório de Riscos Globais 2026, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), e analisado por executivos da Marsh e do Zurich Insurance Group, parceiros estratégicos do WEF e integrantes do seu Conselho Consultivo de Riscos Globais.
De acordo com o estudo, a confrontação geoeconômica é apontada como o risco com maior potencial de desencadear uma crise global em 2026, citada por 18% dos entrevistados, seguida pelo conflito armado entre Estados, com 14%. No campo social, a desinformação e a polarização social avançam de forma consistente no ranking de riscos, com impactos diretos sobre a estabilidade institucional, a confiança nos mercados e os processos decisórios de governos e empresas.

Andrew George, presidente de Specialty na Marsh Risk, comentou: “As divisões cada vez mais profundas estão no centro dos riscos sociais que enfrentamos atualmente — da fragmentação social e desigualdade à deterioração da saúde e do bem-estar. Apesar da gravidade crescente desses riscos, muitos governos estão se afastando de estruturas criadas para lidar com desafios comuns. Como resultado, sociedades divididas estão sendo empurradas para mais perto da instabilidade social e do aumento de conflitos.”
O relatório indica ainda que o mundo caminha para uma nova era de competição global, na qual praticamente todos os riscos mapeados tendem a se intensificar ao longo da próxima década. Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados esperam um cenário turbulento ou tempestuoso nos próximos dez anos, dominado sobretudo por riscos ambientais e tecnológicos.
Alison Martin, CEO de Life, Health and Bank Distribution na Zurich, afirmou: “Os líderes empresariais nas principais economias estão profundamente preocupados com previdência e saúde pública. Essas lacunas ameaçam tanto o bem-estar da força de trabalho quanto a estabilidade social. No entanto, é surpreendente que riscos sociais — como o declínio da saúde, falta de infraestrutura pública e proteção social — quase não apareçam na perspectiva de 10 anos, embora seus efeitos já estejam remodelando nosso mundo. Se não agirmos com urgência e colaboração, corremos o risco de ignorar ameaças que podem definir nosso futuro.”
Além dos riscos sociais, o estudo destaca o impacto crescente das transformações tecnológicas. Os avanços em inteligência artificial (IA) e computação quântica devem afetar profundamente os mercados de trabalho, as estruturas produtivas, a infraestrutura e a geopolítica, com potencial para ampliar desigualdades e criar novos pontos de vulnerabilidade sistêmica.
Nesse contexto, a infraestrutura crítica surge como um fator de atenção. Sistemas de energia, telecomunicações, transporte e conectividade digital estão cada vez mais expostos a eventos climáticos extremos, ataques cibernéticos e tensões geopolíticas, exigindo investimentos relevantes em modernização e resiliência.
Peter Giger, diretor de Riscos do Grupo Zurich, acrescentou: “Apesar de o clima extremo, os ciberataques e os conflitos geopolíticos representarem ameaças crescentes, as interrupções na infraestrutura crítica aparecem apenas na 23ª posição entre os riscos globais para a próxima década. Essa lacuna é extremamente preocupante. De redes elétricas sobrecarregadas pelo calor recorde a cidades costeiras ameaçadas pelo aumento do nível do mar, dependemos de sistemas pouco preparados e subfinanciados. Quando a infraestrutura falha, todo o sistema fica vulnerável. Precisamos reconhecer o quanto essas ameaças são interconectadas e investir agora para fortalecer a resiliência antes da próxima crise.”
Ao abordar os desafios tecnológicos, Andrew George concluiu: Os avanços em IA e computação quântica estão remodelando rapidamente mercados de trabalho e a geopolítica, com implicações profundas para emprego, estabilidade social e dinâmica do poder global. À medida que automação e avanços quânticos se aceleram, governos e empresas devem trabalhar juntos para enfrentar desafios como redundância de funções, concentração econômica e possíveis interrupções sistêmicas na infraestrutura crítica e na confiança digital.”
Informações adicionais
A análise da Marsh e da Zurich tem como base a 21ª edição do Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial, que reuniu a percepção de 1.300 especialistas e 11.000 líderes empresariais, além de entrevistas com centenas de profissionais, para avaliar riscos no curto, médio e longo prazos. O documento é produzido pela Iniciativa de Riscos Globais do Centro para a Nova Economia e Sociedade do WEF.
Leia mais análises sobre o Relatório de Riscos Globais
‘Como as empresas podem lidar com riscos e oportunidades em uma era competitiva?’, por Andrew George, Presidente de Specialty na Marsh Risk.
‘Por que a infraestrutura crítica é uma bomba-relógio?’, por Peter Giger, Diretor de Riscos do Grupo Zurich.