A Capgemini Brasil anunciou nesta terça-feira, 25 de novembro, o lançamento da quarta edição de seu estudo “Análise de Mercado do Open Insurance 2025” (OPIN), produzido integralmente no país e já consolidado como uma das referências nacionais sobre a evolução do ecossistema de compartilhamento de dados no setor de seguros. A edição deste ano analisa expectativas, desafios, percepções do mercado e caminhos para destravar o potencial do OPIN em meio a um cenário de ajustes regulatórios, revisão de cronogramas e maior demanda por integração tecnológica.
Impactos só devem ser percebidos a partir de 2027/2028
Segundo a pesquisa, 73% dos executivos afirmam que os efeitos reais do Open Insurance só serão percebidos a partir de 2027/2028, um indicador de que o mercado revisou suas expectativas em relação ao desenvolvimento do ecossistema. Esse movimento dialoga com o ritmo mais lento observado em 2024 e 2025, marcado pela necessidade de adequações regulatórias e pela reorganização das fases do projeto.
Mesmo com a desaceleração, o setor mantém confiança no potencial de transformação: 57% dos entrevistados se declaram otimistas, ainda que o índice seja inferior ao registrado na edição anterior.
Integração com o Open Finance e uso de IA ganham força
Um dos resultados mais expressivos da pesquisa é o consenso sobre a importância da interoperabilidade entre dados financeiros e de seguros: 80% dos profissionais consideram essencial a integração entre OPIN e Open Finance para aprofundar a visão sobre o cliente e viabilizar novos modelos de negócio.
Outro movimento relevante destacado é o papel da tecnologia: 82% dos executivos acreditam que a Inteligência Artificial generativa e agêntica terá impacto positivo no desenvolvimento do ecossistema do OPIN, especialmente para evolução de modelos de dados, personalização de ofertas e eficiência operacional.
Desafios persistem: compreensão limitada, dados fragmentados e jornadas complexas
A pesquisa evidencia uma série de entraves que ainda dificultam o avanço do OPIN. Entre os principais desafios mapeados estão:
– falta de entendimento da sociedade sobre benefícios do compartilhamento de dados;
– gestão inadequada e fragmentada dos dados pelas instituições;
– lacunas tecnológicas e sistemas legados;
– baixa atratividade e dificuldade em obter consentimento do cliente;
– necessidade de ajustes na jornada de consentimento, ainda pouco aderente às especificidades do setor de seguros.
No campo regulatório, a pesquisa qualitativa aponta a necessidade de discussão sobre o escopo de produtos, aprimoramento do modelo das SPOCs, adequação de custos e maior clareza sobre casos de uso viáveis.
Oportunidades: dados como estratégia, consentimento como valor e novos modelos de receita
A Capgemini destaca que o setor já pode capturar valor imediato com o OPIN, desde que trate os dados como ativo estratégico e não apenas como obrigação regulatória. Entre os caminhos indicados no relatório estão:
– integração rápida com o Open Finance;
– facilitação de consentimentos por meio de jornadas mais simples e orientadas a benefícios;
– criação de novos serviços, especialmente consultivos;
– uso de dados para prevenção a fraudes, KYC, personalização e eficiência operacional;
– expansão de carteiras via cross sell, up sell e ofertas “cross instituição”.
Mercado ouvido: 147 executivos na etapa quantitativa e 20 na qualitativa
A 4ª edição do estudo contou com 147 executivos brasileiros na pesquisa quantitativa e 20 entrevistados na etapa qualitativa, envolvendo profissionais de seguradoras, corretoras, assessorias, insurtechs, entidades representativas e empresas de previdência. A maioria ocupa posições de diretoria, superintendência, presidência, vice-presidência ou liderança técnica.
Acesso ao estudo
Leia a versão completa da Pesquisa Open Insurance 2025 aqui.