Já faz um tempo que eu venho observando as campanhas das seguradoras de um jeito diferente. Não apenas participando delas, mas olhando mais de perto o que acontece depois que a euforia termina.
Campanha, como o próprio nome já diz, é um período de energia alta. É engajamento, é meta, é ranking, é aquele sentimento coletivo de “agora vai”. É quase um carnaval comercial: nos animamos, aceleramos, colocamos foco total no curto prazo. Só que, assim como o carnaval, todo ciclo intenso tem um fim. E quando a campanha acaba, muitas vezes parece que tudo volta ao lugar de antes.
O que tem me chamado atenção é que, na maioria das vezes, as campanhas geram picos de produção e engajamento, mas não conseguem se conectar de forma significativa com a operação do corretor a ponto de deixar um legado real depois que elas terminam. A energia que empurra durante o período acaba dissipando e, no dia seguinte, muita coisa volta ao automático.
Essa situação me leva a pensar que nós, corretores, precisamos olhar para as campanhas de uma forma mais estratégica. Não só como um período para bater meta ou buscar um prêmio rápido, mas como uma ferramenta que pode alimentar processos duradouros dentro da nossa operação. O que eu realmente penso é que a campanha precisa ajudar o corretor a aprender algo, ajustar a sua operação e transformar aquilo em rotina — e não apenas em um sprint isolado.
Do outro lado da mesa, as seguradoras também poderiam olhar para o desempenho e o engajamento dos corretores de maneira diferente. Seria muito mais interessante se, além de premiar quem vende mais, as seguradoras conseguissem identificar aqueles corretores que realmente absorveram o conteúdo, entenderam o produto e tentaram aplicar esse conhecimento de forma organizada em sua própria corretora. Talvez criar premiações que vão além do número de apólices — como consultorias estratégicas, mentorias especializadas ou acompanhamento de performance pós-campanha — poderia revelar muito mais sobre quem está engajado de verdade com a construção de uma carteira sustentável do que simplesmente quem alcançou um número maior de vendas num determinado período.
Essa distinção é importante, porque existem tipos diferentes de participação. Tem o corretor que foca no resultado imediato — no bônus, na comissão, no prêmio tangível. E tem o corretor que aproveita aquela janela para olhar mais longe: aprender sobre o produto, organizar sua carteira, fortalecer relacionamento com cliente e entender como aquele período pode impactar sua operação no longo prazo. Não estou dizendo que um jeito de pensar é melhor do que o outro, mas acredito que aquele que pensa no longo prazo costuma construir mais consistência no seu crescimento.
Confesso que, pessoalmente, essa reflexão surgiu justamente porque eu venho participando de campanhas, analisando minha própria forma de trabalho e tentando trazer aprendizados para o cotidiano da minha corretora. Eu tenho tentado organizar meus processos de modo que aquilo que funciona dentro de uma campanha continue funcionando depois que a campanha termina. E olha: não é simples. Campanhas curtas têm esse efeito de ansiedade — elas criam urgência, mas também tiram a perspectiva de tempo para consolidar uma nova forma de trabalhar. Por outro lado, campanhas muito longas podem dispersar o foco, e aí o engajamento se perde no meio do caminho.
O ponto central dessa reflexão é que, ao fim de cada campanha, a pergunta mais importante que a gente deveria fazer não é “quantos negócios eu fechei?” e sim: o que eu aprendi com isso? O que daquele período realmente faz sentido incorporar na rotina da minha corretora? Como posso estruturar minha operação para que aquilo não seja só um pico isolado, mas um novo patamar de consistência?
No fundo, é uma questão de maturidade profissional. Campanha não precisa ser só um sprint que acaba com festa no fim. Ela pode ser um processo que gera aprendizado, que ajuda a fortalecer discurso, que ensina sobre produto e que realimenta a operação com insights que duram bem depois que o último número é contabilizado.
No fim das contas, assim como o carnaval sempre chega, anima e depois passa, as campanhas também vêm e vão. A diferença está no que a gente, como corretor, decide fazer com o que aconteceu enquanto ela estava ativa. Porque o que fica de verdade não é o número de apólices vendidas naquele mês, e sim o que nós aprendemos com aquela experiência e como usamos isso para melhorar dia após dia.