Por Margot Valmorbida. Economista, pós-graduada em Gestão Contábil e Financeira; em Cooperativismo de Crédito e em Direito do Seguro. É diretora da Protteges Seguros, de Florianópolis (SC), e influenciadora da Lojacorr.
A saúde bucal deixou de ser um tema periférico para ocupar um espaço cada vez mais relevante nas decisões relacionadas à qualidade de vida. Esse movimento, que já se reflete no comportamento do consumidor, também abre uma janela concreta de oportunidades para o corretor de seguros ampliar sua atuação e fortalecer sua carteira.
O Brasil já ultrapassou a marca de 30 milhões de beneficiários de planos odontológicos, em uma trajetória consistente de crescimento nos últimos anos. Ainda assim, a penetração do produto segue relativamente baixa quando comparada ao total da população, o que revela um potencial significativo de expansão.
Esse é um ponto-chave para o corretor. Diferentemente de outras linhas mais maduras, o seguro odontológico ainda não está totalmente explorado, especialmente quando olhamos para públicos que já possuem outros tipos de proteção, mas ainda não incorporaram o cuidado com a saúde bucal no seu planejamento.
Além do cenário favorável, existe um argumento técnico cada vez mais forte: a saúde começa pela boca. Estudos indicam que problemas bucais podem estar relacionados a doenças sistêmicas relevantes, como as cardiovasculares. Essa conexão amplia o discurso do corretor, que deixa de tratar o produto apenas como um benefício pontual e passa a posicioná-lo como parte de uma estratégia mais ampla de prevenção em saúde.
Do ponto de vista comercial, o seguro odontológico reúne características que o tornam especialmente atrativo. O custo acessível facilita a decisão de compra, reduz a objeção do cliente e permite uma abordagem mais consultiva. Ao mesmo tempo, a previsibilidade de despesas e a ampla cobertura de procedimentos reforçam o valor percebido.
Outro aspecto relevante é a versatilidade do produto. Ele se encaixa tanto em vendas individuais quanto em soluções empresariais, funcionando como porta de entrada para novos clientes ou como complemento de carteira para aqueles que já possuem outros seguros. Em muitos casos, é o primeiro passo para a construção de um relacionamento mais amplo e duradouro.
Para empresas, especialmente pequenas e médias, o plano odontológico tem se consolidado como um benefício de alto impacto e baixo custo. Ele contribui para a retenção de talentos, melhora a percepção de cuidado com o colaborador e, ao mesmo tempo, não compromete o orçamento. Esse posicionamento amplia o espaço de atuação do corretor no segmento corporativo.
Há também uma oportunidade clara no pós-venda. Como se trata de um produto que incentiva o uso recorrente, ele aumenta o nível de interação entre cliente e corretor, fortalecendo o vínculo e abrindo portas para novas ofertas ao longo do tempo.
Outro diferencial importante é a facilidade de contratação. Com processos cada vez mais digitais e integrados, o seguro odontológico pode ser comercializado de forma ágil, tanto no ambiente presencial quanto online, o que amplia a escala de atuação do corretor e reduz o ciclo de venda.
Mesmo diante desse cenário positivo, ainda existe um desafio importante: transformar informação em ação. Muitos clientes reconhecem a importância da saúde bucal, mas ainda não deram o passo de contratar uma solução. É nesse ponto que o papel consultivo do corretor faz toda a diferença.
Mais do que oferecer um produto, trata-se de traduzir a necessidade em decisão, mostrando que prevenção não é custo, mas investimento. E que cuidar da saúde bucal é, também, uma forma de proteger o futuro.
Em um mercado cada vez mais competitivo, identificar oportunidades que combinam valor para o cliente e potencial de crescimento para o negócio é essencial. O seguro odontológico reúne esses dois elementos e se posiciona, cada vez mais, como uma das portas mais inteligentes para expandir atuação, gerar receita recorrente e fortalecer o relacionamento com a carteira.
Porque, no fim, proteger começa pelos detalhes. E poucos são tão estratégicos quanto a saúde.
