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Inovação

Rafael Brentegani participa de imersão internacional da ENS e reforça importância da inovação e da adaptação no mercado de seguros

Experiência em Nova York trouxe reflexões sobre inteligência artificial, inovação, legislação e o futuro da distribuição de seguros

Rafael Brentegani participa de imersão internacional da ENS e reforça importância da inovação e da adaptação no mercado de seguros

Rafael Brentegani, gestor da Unidade Campinas da Lojacorr Seguros e diretor adjunto da Regional Campinas do Sincor-SP, participou da Insurance Immersion New York 2026, promovida pela ENS em parceria com a SOSA entre os dias 27 de abril e 1º de maio, experiência internacional que reuniu executivos e profissionais do mercado para discutir inovação, tecnologia e tendências globais do setor de seguros.

Realizada em Nova York, um dos principais centros financeiros e seguradores do mundo, a imersão proporcionou contato direto com seguradoras, resseguradoras, órgãos reguladores, hubs de inovação e insurtechs do mercado norte-americano. A programação incluiu aulas com especialistas internacionais, visitas técnicas, workshops e encontros voltados a temas como transformação digital, inteligência artificial, experiência do cliente, inovação aplicada e tendências globais do mercado de seguros e serviços financeiros.

Ao longo dos cinco dias de programação, os participantes tiveram acesso a debates sobre ecossistemas de inovação, transformação digital, novos modelos de distribuição, gestão de riscos, compliance regulatório e tendências que vêm moldando o futuro da indústria global de seguros. A agenda também contou com encontros executivos e momentos de networking estratégico com lideranças locais e internacionais.

Segundo Brentegani, um dos pontos que mais chamaram sua atenção foi perceber que o mercado americano não está necessariamente mais avançado em todos os aspectos, mas possui diferenças estruturais importantes em relação ao Brasil. “O mercado americano de seguros não é diferenciado do mercado brasileiro, ele é apenas diferente. Nós temos pontos onde estamos extremamente mais avançados, como, por exemplo, o sistema de cobrança Pix, que é uma tecnologia mundialmente reconhecida”, afirmou.

Para ele, o Brasil possui hoje uma oportunidade importante de expansão da cultura de proteção, especialmente diante da evolução tecnológica e da ampliação do acesso aos produtos. “A gente hoje reúne um arcabouço tecnológico muito mais robusto, clientes muito mais conectados e produtos com maior acessibilidade e condição de proteção”, destacou.

Brentegani ressaltou ainda que os desafios relacionados à distribuição de seguros são muito parecidos entre os dois países, mas que o ambiente regulatório norte-americano possui uma dinâmica bastante distinta, já que as seguradoras precisam atuar em diferentes estados com regras próprias. “Aqui nos Estados Unidos existe a necessidade da aprovação de um determinado produto em 50 estados diferentes. É como se existissem 50 Suseps diferentes”, comparou.

Outro ponto enfatizado pelo gestor foi o amadurecimento da cultura de proteção nos Estados Unidos, impulsionado por legislações mais consolidadas e pela obrigatoriedade de determinados seguros, o que amplia a competitividade e a oferta de produtos. “Quando o segmento é amparado por uma legislação séria, isso faz com que o mercado se movimente muito mais e cresça muito mais”, disse.

A inteligência artificial também esteve entre os principais temas debatidos durante a programação da imersão. Para Brentegani, ficou claro que a tecnologia continuará tendo papel importante no ganho de produtividade do setor, mas sem substituir o fator humano. “Ficou muito claro: o ser humano continua sendo o protagonista do processo”, ressaltou.

Na avaliação dele, o mercado brasileiro está bastante alinhado ao americano no uso da inteligência artificial. “Não vi absolutamente nenhuma diferença gritante do que é feito no Brasil em relação ao que é feito nos Estados Unidos. A inteligência artificial está sendo utilizada como ferramenta de apoio, mas não como ferramenta fim”, comentou.

Ao falar sobre inovação, Brentegani destacou que o conceito vai muito além da tecnologia e precisa fazer parte da rotina do corretor de seguros. “Inovar significa permanecer no mercado. Ser relevante para o segurado e para as seguradoras. É uma questão de sobrevivência”, afirmou.

Entre os exemplos apresentados durante a imersão, um dos que mais chamou sua atenção foi um projeto da seguradora Travelers, desenvolvido a partir de hackathons internos voltados à criação de soluções inovadoras. A iniciativa utiliza análise de dados e monitoramento climático para retirar veículos de regiões que poderão ser atingidas por eventos extremos antes que os danos ocorram. “Eles conseguem restituir os bens aos segurados intactos, protegidos. Não existe a necessidade da indenização dos itens, porque eles foram salvos”, explicou.

Para Brentegani, o principal desafio do mercado brasileiro é transformar a criatividade natural do empreendedor em processos estruturados e replicáveis. “O brasileiro é muito criativo. O que a gente precisa é transformar o jeitinho brasileiro em algo sistematizado, em método”, afirmou.

Na visão dele, o corretor de seguros precisará cada vez mais incorporar inovação e revisão de processos à rotina operacional. “O corretor precisa incluir no mindset dele que mudança, crescimento e revisão da forma de fazer negócios é um assunto extremamente urgente”, disse.

O gestor também destacou que os profissionais vinculados à Lojacorr Seguros já possuem vantagem competitiva por terem acesso a ferramentas e estrutura tecnológica, mas reforçou que isso exige adaptação constante. “O corretor que faz parte da Lojacorr Seguros já tem certa vantagem, mas isso por si só não basta. É preciso fazer uso pleno das ferramentas disponíveis hoje”, afirmou, citando o CRM lançado recentemente pela companhia.

Outro aprendizado destacado por Brentegani foi o aumento da responsabilização do corretor dentro de mercados mais maduros. “Hoje o corretor tem uma exposição muito maior e eu pude ver no mercado mais maduro como isso de fato é cobrado do intermediador”, observou.

Na visão do executivo, os próximos anos serão marcados por forte automação, ampliação do acesso ao seguro e crescimento dos produtos digitais, criando novas oportunidades para os corretores que conseguirem se adaptar rapidamente às transformações do mercado. “A gente vai assistir uma grande automação dos meios de pagamento das apólices e uma ampliação do acesso ao seguro para parcelas da população que até então não tinham acesso a esse tipo de contratação”, afirmou.

Ele acredita ainda que o corretor terá papel cada vez mais consultivo, apoiado pela tecnologia, mas sem perder a importância da relação humana. “O corretor vai precisar investir muito na inovação da sua corretora para que ela permaneça relevante nessa linha do tempo dos próximos cinco anos”, concluiu.